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O governo do Rio e a Petrobras finalizaram ontem detalhes para o arrendamento, pela estatal, da área do estaleiro Ishibrás, na zona portuária. Segundo o governador Sérgio Cabral, o estaleiro voltará a se chamar Inhaúma, nome que ganhou em sua construção, em 1954.

O governo do Rio e a Petrobras finalizaram ontem detalhes para o arrendamento, pela estatal, da área do estaleiro Ishibrás, na zona portuária. Segundo o governador Sérgio Cabral, o estaleiro voltará a se chamar Inhaúma, nome que ganhou em sua construção, em 1954. A área, que possui o segundo maior dique seco da América do Sul, poderá ser usada para a construção de navios-plataforma e sondas de petróleo. Segundo Cabral, empresa e governo chegaram a um acordo sobre questões tributárias relativas ao estaleiro em reunião na manhã de ontem. O secretário estadual de desenvolvimento, Júlio Bueno, disse que falta apenas um acordo com a prefeitura para redução do ISS sobre as operações do estaleiro - a Petrobras quer que a alíquota caia de 5% para 2%. Já existe acordo financeiro com o dono da área, a CBD. A Petrobras não comentou o assunto. Na empresa, a informação é que há detalhes pendentes para a conclusão do negócio. Hoje, duas empresas operam na área do Ishibrás: a Sermetal, que processa aço para estaleiros próximos, e a Bric Log, que presta serviços de logística para o setor de petróleo. Segundo o governo do Rio, a Sermetal será transferida para a área da Bric Log. Modernização. A operação do restante do canteiro, incluindo o dique seco, deve ser terceirizada pela Petrobras, em modelo semelhante ao do estaleiro São Roque do Paraguaçu, na Bahia, que está sendo operado pela Odebrecht. As instalações do Ishibrás precisam de obras de modernização, que devem custar de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões, calcula a secretaria de desenvolvimento. "O estaleiro vai gerar cerca de 5 mil empregos e deve contribuir bastante para a revitalização da região do Caju", disse Bueno, em entrevista durante o seminário Balanço do Setor Naval e Offshore do Rio de Janeiro. O governo quer que a Petrobras adie novamente a licitação de sondas de perfuração, cujas propostas devem ser entregues até o fim do mês, para permitir a participação do novo estaleiro na disputa. Bueno calcula que, além das encomendas da Petrobras, a exploração das áreas não concedidas do pré-sal vai demandar 30 navios-plataforma, 400 módulos para plataformas de produção e 500 petroleiros, entre outros equipamentos. Tal demanda, disse, garante um grande volume de negócios para a indústria naval no longo prazo. O imbróglio envolvendo o Ishibrás já dura anos, a ponto de o governo do Estado ter pensado em desapropriar a área para conseguir reativar as instalações, consideradas uma das melhores existentes no País. Além da construção naval, a área será usada como centro de distribuição de peças de reposição para as plataformas marítimas de petróleo.

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