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A Petrobrás já deu início às compras dentro de uma nova estratégia, que visa a atrair fabricantes de equipamentos para o País. A estatal está licitando uma encomenda de 300 árvores de natal - conjunto de válvulas que regulam poços de petróleo.

Orçado pelo mercado em US$ 2 bilhões, o contrato é inédito. Até então, a companhia licitava pacotes menores e direcionados para cada campo de produção. Considerando outros equipamentos, a expectativa é de que até o fim deste ano as licitações cheguem a US$ 10 bilhões.

A nova forma de encomenda havia sido citada ao Estado pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, como forma de incentivar a instalação de fabricantes no País e o aumento da capacidade industrial local para atender à demanda dos projetos de exploração dos campos descobertos na camada pré-sal. "Mas, além do pré-sal, essa estratégia será adotada em todos os projetos da empresa, também para reduzir custos com a criação de uma escala, com produção em série", disse a fonte.

Além das "árvores de natal", a companhia deve lançar em breve outras encomendas de risers (tubos que ligam a plataforma ao poço), manifolds (conjunto de válvulas) e demais equipamentos para os sistemas produtivos. Para a área onde está localizado o bloco de Tupi, na Bacia de Santos, por causa da elevada profundidade das reservas (de 6 mil a 7 mil metros), o presidente da Petrobrás havia estimado que o custo de cada sistema deverá girar em torno de US$ 7 bilhões.

Segundo um especialista do setor, cada uma das dez plataformas que deverão ser instaladas em Tupi estará ligada a dez poços. "Isso significa uma árvore de natal para cada poço e centenas de quilômetros de tubos, amarras, dutos. Mas esse custo também considera a etapa de perfuração dos poços antes de a plataforma entrar em produção", lembrou o especialista.

Com isso, as encomendas apenas para Tupi podem chegar a US$ 70 bilhões. Do total, a Petrobrás está licitando, por enquanto, as primeiras 12 sondas de perfuração e as dez plataformas de produção. Ainda não foram consideradas áreas como Iara, Guará, Tupi, Carioca e Caramba.

Além desses equipamentos, a Petrobrás terá de arcar com os investimentos para o escoamento da produção de óleo e de gás e com a logística que envolverá os sistemas produtivos. Segundo uma fonte de alto escalão da Petrobrás, de olho nas necessidades de escoamento da produção da área do pré-sal na Bacia de Santos, já estão programados mais dois pacotes de licitações para a fabricação de navios-petroleiros.

Isso significa que, além dos 49 petroleiros já encomendados pela subsidiária da empresa, outros 50 devem ser licitados no ano que vem, ao custo aproximado de US$ 5 bilhões.

Na parte de escoamento do gás, a Petrobrás já concluiu a licitação para a construção de um duto ligando a área de Tupi ao campo de Mexilhão, cuja produção está prevista para começar no ano que vem. Com cerca de 230 quilômetros de extensão, o duto terá dois trechos, sendo que 119 quilômetros serão construídos pela empresa britânica Corus e o restante, pela brasileira TenarisConfab.

Os contratos somam US$ 300 milhões e devem ser assinados nos próximos dias. A entrega dos trechos está prevista para 2009, para que o gasoduto esteja pronto quando entrar em operação o projeto piloto do campo de Tupi, que vai produzir 100 mil barris de óleo e 3,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia a partir de 2010.

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