O índice Bovespa abriu o pregão de hoje em baixa e, por volta das 12h45, ampliava a queda para 1,95%, a 59.540 pontos, mostrando que o bom humor do início da semana ficou para trás.

A Bolsa paulistana segue os mercados externos, que também operam em baixa. As Bolsas asiáticas fecharam no menor nível em dois anos e os mercados europeus registram queda. Por volta das 12h45, o Dow Jones, índice da Bolsa de Nova York, caía 1,07%, enquanto o Nasdaq recuava 0,68%.

Ontem, o otimismo inicial com o plano do governo dos EUA para socorrer as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac evaporou-se rapidamente nos EUA. Depois de uma segunda leitura pelos investidores, surgiram várias dúvidas sobre a operação e também aumentou o temor sobre a saúde financeira dos bancos.

As Bolsas norte-americanas fecharam em queda, mas a Bolsa brasileira resistiu, o que não deve se repetir hoje. Para contribuir com a pressão negativa hoje, foram divulgadas a inflação no atacado nos EUA (a maior alta mensal desde novembro do ano passado) e as vendas no varejo americano, que cresceram apenas 0,1%. Outra notícia ruim da manhã veio da montadora de veículos GM, que anunciou corte de dividendos aos acionistas nos EUA, corte de bônus aos executivos e ainda deu alerta de prejuízo expressivo no segundo trimestre.

É neste clima desfavorável que os investidores aguardam a divulgação de balanços da Intel e da Johnson & Johnson e o pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, e do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, perante o Comitê Bancário do Senado dos EUA, previsto para 11 horas.

Tudo isso deve impedir a Bovespa de se descolar de Wall Street. De acordo com um profissional, as ações da Petrobras e da Vale podem, eventualmente, impedir uma queda mais forte do Ibovespa. "A única notícia positiva, por enquanto, que pode impedir a Bolsa de cair muito, ou até operar no azul, é a descoberta de óleo da Petrobras e o encerramento da subscrição das ações da Vale", avalia o profissional. O avanço do preço do petróleo, segundo o profissional, também pode contribuir para a apreciação dos papéis da estatal.

Ontem a Petrobras anunciou a descoberta de óleo de boa qualidade na Bacia do Espírito Santo. A nova descoberta está localizada na área do campo de Golfinho, a 60 quilômetros de Vitória. Segundo a estatal, as primeiras estimativas indicam potencial de 150 milhões de barris de óleo recuperável. A reserva está localizada em concessão pertencente 100% à estatal. Segundo o comunicado, a vantagem é que a área está próxima da infra-estrutura já instalada no campo de Golfinho. "Com isso, os volumes descobertos serão incorporados às reservas da companhia e podem rapidamente entrar em produção", afirma o comunicado da empresa.

Já no caso da Vale, o término do prazo da subscrição das ações preferenciais da empresa pode contribuir para o avanço do papel. "As ações da Vale estão nas mãos de grandes bancos e fundos, isso pode mexer, positivamente, com o papel", avalia um técnico.

Na Europa, os principais mercados acionários operam em queda acentuada, refletindo as contínuas preocupações dos investidores com o setor financeiro, à luz da recente falência da IndyMac Bancorp. Na Ásia, não foi diferente e as bolsas locais fecharam em baixa. Por toda a região, a percepção é de que a crise no setor hipotecário é maior do que parece, e de que a economia norte-americana se deteriora cada vez mais.

Em tempo: a Vivo publicou hoje o edital da Oferta Pública de Aquisição (OPA) das ações ordinárias da Telemig Celular Participações e da Telemig Celular S.A. em circulação no mercado. Os leilões de compra ocorrerão na Bovespa no dia 15 de agosto, às 13h e às 13h15, respectivamente. Os acionistas das duas empresas têm até 14 de agosto para se habilitarem para os leilões. A oferta deve movimentar R$ 952,810 milhões, caso a empresa compre todos os papéis citados no edital.

Dólar

O dólar à vista abriu em alta de 0,03% hoje, cotado a R$ 1,596 na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Após operar em queda, voltou a subir e por volta das 12h45, registrava alta de 0,06%, a R$ 1,596.

Ontem, a moeda norte-americana fechou em baixa de 0,31%, a R$ 1,5955.

O temor em relação à saúde do sistema financeiro norte-americano continua assombrando os mercados que, hoje, manterão todas as atenções dirigidas aos depoimentos do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, e do secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, perante o Comitê Bancário do Senado dos EUA, às 11 horas (de Brasília). Por aqui, no entanto, o mercado doméstico de câmbio tem um potencial contemporizador para o estresse: a perspectiva de entradas decorrentes da oferta de ações da Vale e da operação de compra pela mineradora Anglo American de um projeto da MMX Mineração e Metálicos.

Se, ainda assim, o mercado não se sentir confortável para apostar em queda acentuada das cotações do dólar ante o real, por causa do cenário internacional, também não deve ter fôlego para altas significativas. O decorrer dos negócios definirá as cotações.

Com informações da Agência Estado e do Valor Online

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