Tamanho do texto

SÃO PAULO - O agravamento da crise financeira internacional derrubou a confiança do empresariado brasileiro da indústria para o nível mais baixo já registrado desde julho de 2005, conforme mostra a pesquisa do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador, apurado trimestralmente, totalizou 52,5 pontos em outubro, o que significa uma queda de 5,6 pontos ante o registrado no último mês de julho (58,1 pontos) e um recuo de 7,9 pontos em relação à marca obtida em outubro de 2007 (60,4 pontos).

A escala utilizada vai de 0 a 100 pontos, em que um índice acima de 50 significa que a confiança ainda é positiva.

Segundo a CNI, empresas de todos os portes mostraram-se mais pessimistas nesta coleta de dados para a pesquisa, sobretudo nas grandes indústrias. Neste grupo, o índice de confiança caiu de 59,9 pontos em julho para 51,5 pontos em outubro. A CNI atribui parte das explicações para esse resultado ao fato de muitos exportadores estarem enfrentando dificuldades na obtenção de financiamentos. Entre as indústrias de grande porte, 80% são exportadoras, enquanto essa fatia se restringe a apenas 23% das empresas de pequeno porte.

O pessimismo também se evidenciou na avaliação da expectativa do empresário quanto aos seus negócios para os próximos seis meses, com 53,4 pontos (queda de 8,2 pontos na comparação com julho). Na percepção das condições atuais, que ficou em 50,5 pontos, a variação negativa no índice foi bem menor, de apenas 0,7 ponto.

Dos 27 setores avaliados pela pesquisa da CNI, apenas Bebidas deixou de registrar queda na confiança - 56,6 pontos em outubro, com variação positiva de 0,1 ponto diante de julho. Todos os demais mostraram-se mais pessimistas, com a maior retração apurada no setor de Outros Equipamentos de Transporte (64,1 pontos em julho para 53,4 pontos em outubro). O setor mais pessimista da atualidade é o de Álcool, com 45,3 pontos registrados em outubro.

(Adilson Fuzo | Valor Online)