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Pesquisa de etanol vai receber R$ 73 milhões

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou ontem um programa específico de apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias na área de biocombustíveis. Entre elas, o melhoramento genético da cana-de-açúcar e a produção do etanol de celulose.

Agência Estado |

O investimento inicial será de R$ 73 milhões, amparado também pela indústria, pelo governo federal e o Estado de Minas Gerais.

O Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) chega em boa hora. Especialistas presentes no lançamento ressaltaram que o Brasil é hoje líder absoluto em ciência e tecnologia do etanol, mas que essa liderança se torna cada vez mais apertada à medida que outros países começam a investir pesado também nos biocombustíveis. "Só vamos permanecer na vanguarda se produzirmos novos conhecimentos", disse o presidente da Fapesp, Celso Lafer.

"Temos de continuar avançando", reforçou o diretor científico da fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz. "O Brasil não está acostumado a ser o melhor do mundo em ciência e tecnologia. A atitude tem de ser diferente de quando se está querendo aprender e copiar o que os outros estão fazendo."

Trinta e sete instituições participarão do Bioen - 20 do Brasil e 17 estrangeiras. Um dos pontos fortes do programa será a pesquisa genômica, direcionada para o melhoramento genético da cana. Os cientistas querem entender melhor como funciona a genética da planta para, a partir daí, ativar, desativar ou multiplicar genes que sejam de interesse para a produção de etanol.

"Precisamos de plantas com mais açúcar, mais biomassa e melhor adaptadas a diferentes ambientes", disse a especialista Glaucia Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Na região Centro-Oeste, por exemplo, o problema é a baixa disponibilidade de água. "Se quisermos usar pasto em vez de derrubar floresta, precisamos de uma planta que seja resistente à seca."

O Bioen dará seqüência a pesquisas iniciadas em 1999 com o projeto Sucest, que seqüenciou 90% dos genes conhecidos da cana-de-açúcar. O trabalho, porém, limitou-se às regiões codificadoras de proteínas, que representam uma parte pequena do genoma. Todo o maquinário genético que controla o funcionamento desses genes continua desconhecido. "Ainda temos muita pesquisa básica por fazer", observa Glaucia. Uma das metas é fazer o seqüenciamento completo do genoma da cana.

Celulose

Outro objetivo é desenvolver a tecnologia do etanol de celulose, que permitiria ao País transformar também em combustível o bagaço e a palha da cana (hoje se aproveita só o caldo, o que é só um terço da energia contida na planta). Para isso, é preciso entender como se forma a parede celular da cana e - mais importante - como desconstruir essa parede para chegar à celulose embutida nela.

"O que fazemos hoje é desmontar uma máquina supercomplexa com uma marreta", disse o especialista Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP. "Temos de descobrir quais são as ferramentas exatas para esse trabalho, e é isso que a genômica vai nos dar."

"O Brasil precisa dominar a tecnologia do etanol celulósico se quiser manter sua liderança", disse José Luiz Olivério, vice-presidente da Dedini, empresa que faz pesquisa na área. Ele cobrou mais apoio financeiro para o escalonamento de processos industriais experimentais. "Se continuar assim, toda tecnologia vai parar na universidade (sem chegar à indústria)."

Dos R$ 73 milhões, R$ 10 milhões são da Dedini, R$ 19 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e R$ 2,5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas.

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