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O presidente do Peru, Alan Garcia Pérez, disse hoje que acordos comerciais como o Pacto Andino e o Mercosul já não respondem mais às necessidades e anseios do século 21 e defendeu a assinatura de um acordo bilateral de livre comércio entre seu país e o Brasil que incentive investimentos, aumente a presença de empresas brasileiras no Peru e envolva o setor de serviços e a área financeira. Na avaliação dele, a atual crise financeira do mercado mundial é uma oportunidade para a integração da América do Sul.

Garcia citou ainda o fracasso das negociações da Rodada Doha no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) como mais um motivo para a assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com o Peru, país que já possui tratados com Estados Unidos e Canadá, e que terá, em breve, TLCs com China e Coréia do Sul. As afirmações de Alan Garcia foram feitas durante o Fórum de Investimentos, Comércio, Turismo e Cultura do Peru, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

O presidente peruano defendeu também que o acordo que prevê que 90% do volume comercializado entre os países da América do Sul tenha isenção de tarifas a partir de 2019 seja antecipado para 2015. "Não devemos sacrificar a integração econômica e cultura do continente em respeito a esses acordos. Eles são um meio para se chegar a determinados objetivos, não um fim em si mesmo", disse ele.

"O mundo de hoje balança por crises financeiras e hipotecárias, por previsões de crescimento econômico menor e redução de mercados consumidores. A melhor maneira de responder à crise nos Estados Unidos e à recessão na Europa é fortalecer a integração", declarou Garcia. Segundo ele, o fluxo comercial entre os países poderia aumentar dez vezes se o acordo fosse concretizado. "Não podemos ficar falando apenas de Doha. A era pós-Doha passa por acordos bilaterais", acrescentou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Garcia disse que esse será um dos temas da conversa que terá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta tarde. Além disso, a criação de um conselho de defesa da América do Sul está entre os assuntos que serão discutidos. "Temos que trabalhar com o Brasil e sua capacidade de estabelecer consensos. O Brasil é hoje o grande construtor de consensos na América Latina", declarou.

Garcia, que não participou da reunião da Unasul a respeito da crise da Bolívia, na última segunda-feira, disse que se sentiu representado pelo Brasil. "Naturalmente a situação preocupa todos os países latino-americanos, mas os países da Unasul só poderiam chegar a essa conclusão: damos respaldo à democracia na Bolívia, ao governo eleito de forma democrática e rechaçamos todo tipo de violência e separatismo".

Garcia disse ainda que a Transoceânica, estrada que ligará o Acre ao porto da cidade de Ilo, no sul do país, pode se tornar um corredor para as exportações brasileiras à China e ao restante da Ásia, principalmente para o escoamento de soja. "Posso garantir que a estrada estará totalmente finalizada até 2011, servindo ao Brasil e ao Peru", sustentou Garcia. Segundo ele, atualmente, alimentos e cimento produzidos no Peru já são transportados ao Brasil por meio da Transoceânica, e futuramente, fosfato.

O presidente peruano defendeu ainda a construção de usinas hidrelétricas binacionais na Cordilheira dos Andes, que, de acordo com ele, possui um potencial de geração de energia elétrica que chega a 80 mil megawatts (MW).

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