Tendência é de que o quadro de trabalhadores nas fábricas volte ao nível pré-crise no segundo semestre

A perspectiva para o emprego industrial, que avalia a intenção de contratação e de demissão das empresas para três meses, atingiu em março o segundo melhor resultado desta década e já supera o período favorável ao emprego que antecedeu a crise, revela um estudo feito a pedido do "Estado" pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base na Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação.

Isso indica que o bom resultado do emprego na indústria alcançado em fevereiro e divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve continuar. A tendência é de que o quadro de trabalhadores nas fábricas volte para o nível pré-crise no segundo semestre deste ano, prevê o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

Em fevereiro, pela primeira vez em 15 meses, o emprego industrial cresceu na comparação anual. A alta foi de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2009, informou o IBGE. Mesmo assim, o nível de emprego em fevereiro, descontadas as influências típicas desta época do ano, ficou 4,5% abaixo do de setembro de 2008, o mês de referência antes do início da crise, segundo os cálculos da economista do Banco Santander Luiza Rodrigues.

Ela observa que, desde maio de 2009, o emprego vem se recuperando na indústria e frisa que houve uma aceleração nos últimos meses. "Como a demanda interna está aquecida, é natural que as indústrias queiram contratar", observa Borges. Em março, 30,6% das 1.165 indústrias consultadas pela FGV pretendiam contratar mão de obra entre março e maio deste ano e 5,4% planejavam cortes. Nesta década, o resultado só foi superado pelo do mês anterior. Em fevereiro, 31,3% das indústrias planejavam contratações e 3%, demissões em três meses.

Longo prazo

Quando se olha para um horizonte maior, a pesquisa mostra que a perspectiva do emprego para três meses na média deste ano já supera a média do período pré-crise. No primeiro trimestre deste ano, 65,8% das indústrias pretendiam manter o emprego nos próximos três meses e 29,5% planejavam aumentar o quadro de pessoal.

Entre julho de 2007 e junho de 2008, período que antecedeu a crise, 56,8% das companhias pretendiam manter os funcionários e 32%, contratar. Entre manutenção dos postos de trabalho e contratações, 95,3% das cerca de mil empresas consultadas estavam nessa condição no primeiro trimestre deste ano, ante 88,8% no pré-crise.

A fatia de empresas dispostas a demitir caiu mais da metade no período: somava 11,1% no pré-crise e ficou em 4,7% na média do primeiro trimestre deste ano. "Puxada pelo mercado interno, a recuperação do emprego está se disseminando pelos setores. Mesmo que o juro suba, a perspectiva é favorável", diz o superintendente de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, responsável pelo estudo.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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