Como já havia feito na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central (BC) deixou claro, mais uma vez, que a partir de abril vai elevar os juros para tentar impedir o estouro da meta de inflação neste ano e no próximo. No Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem, o BC elevou a previsão de inflação de 4,6% (contida no relatório de dezembro) para 5,2% neste ano.

Como já havia feito na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central (BC) deixou claro, mais uma vez, que a partir de abril vai elevar os juros para tentar impedir o estouro da meta de inflação neste ano e no próximo. No Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem, o BC elevou a previsão de inflação de 4,6% (contida no relatório de dezembro) para 5,2% neste ano. Para o fim de 2011, a estimativa saltou de 4,6% para 5,1%. "O balanço de riscos relacionados às perspectivas de inflação deteriorou-se em relação ao trimestre anterior", diz o documento. Mantidas as condições atuais, a inflação só convergiria para a meta de 4,5% no segundo trimestre de 2011, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegaria a 4,4% ao ano, no acumulado em 12 meses. "O BC está empenhado, como sempre esteve, em manter a inflação na meta e preservar o poder de compra", disse o novo diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, ponderando que a meta para 2010 não foi abandonada. Araújo assumiu o cargo ontem, no lugar de Mário Mesquita, que saiu do BC. Até agora, ele ocupava a diretoria de Assuntos Internacionais. Sem falar diretamente da alta de juros, mas dando todos os sinais de que será necessária, Araújo afirmou que os juros de mercado tendem a antecipar os movimentos do BC. "As taxas de mercado estão em elevação e creio que estão em linha com as sinalizações que o BC tem dado em seus documentos nos últimos meses", frisou, referindo-se ao início do ciclo de aperto monetário. Para Araújo, vários fatores estão pressionando a alta de preços. A própria previsão do BC para o crescimento da economia neste ano, de 5,8%, aponta que as empresas precisaram investir alto para atender aos brasileiros com renda em alta e elevado endividamento. Na avaliação do BC, a capacidade ociosa das companhias está muito baixa, o que pode dificultar o atendimento da demanda e pressionar os preços. "Temos, certamente, uma demanda que cresce a um ritmo maior do que a oferta", afirmou. Para agravar a situação, o BC prevê o aumento dos preços das commodities, em razão da recuperação da economia global. Sem a ajuda do câmbio, as commodities poderão fazer os preços subirem internamente. Nos últimos meses, também foi identificado o aumento dos preços dos produtos no atacado. Para Araújo, essa alta deve ser repassada ao varejo em no máximo nove meses. Outra pressão é o reajuste de preço dos serviços. Grande parte dos preços do setor é indexada à inflação passada e, portanto, não sofre impacto imediato da elevação da Selic. Além disso, diferentemente das mercadorias, o setor é pouco afetado por importações. "A inflação de serviços mostra resistência grande. Parte dessa inércia se deve a mecanismos formais e informais de indexação da economia", disse. Agora, a dúvida do mercado é saber qual será o tamanho da elevação da Taxa Selic na reunião de abril do Copom. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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