A derrota do governo da presidente Cristina Kirchner na semana passada no Senado - que derrubou seu projeto de aumento de impostos sobre as exportações de agrícolas - está entusiasmando os partidos de oposição e mesmo as facções opositoras que integram o governante Partido Justicialista (peronista). Um dos rebeldes, o ex-presidente Eduardo Duhalde, anunciou que abrirá nos próximos dias representações do dissidente Movimento Produtivo Argentino (MPA) nas principais cidades do país.

Dentro do peronismo, afirmam os analistas, os políticos estão procurando uma alternativa para permanecer no poder. E essa alternativa, segundo eles, não envolve Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Ao longo dos últimos cinco anos, os partidos de oposição - divididos e desarticulados - ficaram de fora do tabuleiro político, enquanto os Kirchners desfrutavam de hegemonia. Mas, agora, acreditam ter chance de obter novo protagonismo. Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica, de centro, sustenta que a oposição obteve "um avanço colossal". Líderes do Proposta Republicana, de centro-direita, sugerem a formação de uma coalizão contra o casal Kirchner. Kirchneristas vacilantes, que acreditam ser pouco conveniente manter sua fidelidade para com a presidente - entre eles, prefeitos da Grande Buenos Aires (maior reduto do governo) -, têm entrado em contato com Duhalde, que se tornou um aglutinador de insatisfeitos.

A fuga de aliados também tomou conta dos Radicais-K, os dissidentes da opositora União Cívica Radical (UCR) alinhados com os Kirchners, cujo principal representante é o vice-presidente Julio Cobos. Vários deles esperam uma anistia da UCR para voltar ao partido. Na sexta-feira, dois homens de Cobos renunciaram a seus cargos no governo.

Segundo uma pesquisa da empresa Management & Fita, o vice-presidente é visto de forma positiva por 50% dos argentinos. Já Cristina é avaliada positivamente por apenas 20%. A popularidade de Cobos, um engenheiro de 53 anos, disparou na semana passada, depois que ele votou contra o impopular projeto de Cristina de aumento de impostos. Após 17 horas de debate, a votação no Senado terminou empatada e coube a Cobos dar o voto de Minerva.

No dia seguinte, as frases que ele declarou para justificar seu voto contra o governo estampavam camisetas e canecas que eram vendidas na internet.

Após ter provocado a derrota de Cristina, o vice foi chamado de traidor e muitos no governo pediram sua renúncia. Mas, desde ontem, líderes kirchneristas vêm pondo panos quentes na crise política Um deles, o senador José Pampuro, relativizou a rebeldia de Cobos e disse que haveria uma "crise ainda maior" se o vice renunciasse.

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