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Peritos mudam interpretação sobre cratera do metrô de SP

Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) que elaboraram o laudo sobre o acidente na futura Estação Pinheiros do Metrô, deram ontem uma nova interpretação sobre as detonações na obra. Eles sustentaram ao delegado Jorge Carlos Carrasco, chefe da 3ª Seccional Oeste, em Pinheiros, e ao promotor de Justiça Arnaldo Hossepian Júnior, um dos encarregados do inquérito criminal do acidente, que houve influência das explosões no momento em que os trabalhos deveriam estar paralisados, no dia 12 de janeiro de 2007, por causa da constatação de problemas na construção.

Agência Estado |

Anteriormente, no laudo entregue no final de agosto, o IC afirmou que as detonações não tiveram influência na tragédia que matou sete pessoas. Para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), embora tenham sido de baixa intensidade, as detonações de rochas feitas no dia do acidente provocaram vibrações e os gases liberados preencheram as fraturas existentes nas paredes do túnel.

Inicialmente, para o IC, essa hipótese tinha pouco peso. Agora, o cruzamento de versões e a comparação de documentos apontam para uma possível explosão entre 11 e 12 horas. O consórcio alega que não houve explosão no período entre a detonação da manhã e o início do desabamento, à tarde.

De acordo com Hossepian, a reunião de ontem foi esclarecedora. Havia diversas divergências entre o estudo elaborado pelo IC e o laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), principalmente sobre o início do desabamento, o plano de emergência, as hipóteses de uma rocha não detectada em sondagens e a profundidade e a velocidade das escavações.

Os técnicos do IPT mostraram que a decisão dos engenheiros do Via Amarela de continuar a escavação dos túneis enquanto providenciavam tirantes (pinos de sustentação) tornou o colapso da obra inevitável. Eles concluíram que essa foi a "causa raiz" do acidente. O IC não fez tal conclusão.

Pelo projeto original da estação, os trabalhos de escavação deveriam começar no poço da estação e seguir em direção à Rua Capri. Entretanto, a escavação chegou a ser feita no sentido contrário, com uso maior de explosivos, o que resultou na aceleração do ritmo de escavação, o que teria abalado mais as estruturas da obra.

Também foi mostrado ontem um relatório feito pelo próprio consórcio que revelou que a velocidade da escavação no mês de janeiro foi maior do que a que estava registrada nos diários de obra. Esse documento desfaz a afirmação feita anteriormente de que não houve avanço significativo na escavação. Foram mostradas fotos da obra antes e depois do colapso para confrontar as versões.

O Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, informou por meio de sua Assessoria de Imprensa, que "não tomou conhecimento oficial das declarações feitas na data de hoje (ontem)". A reunião entre os responsáveis pelo inquérito e os engenheiros do IC durou mais de três horas. Foram feitas 24 perguntas aos engenheiros. Toda a sessão foi gravada.

"Os peritos do IC foram muito prestativos em tentar esclarecer todas as dúvidas. Mas, embora tenha havido boa vontade, a confecção do laudo exige conhecimentos de geologia e de minas. E eles não têm esse conhecimento. São engenheiros civis", explicou Hossepian. Para elaborar o laudo, os engenheiros do IC se valeram de consultas a técnicos de confiança deles, de fora do instituto. Na saída, um dos peritos disse que as dúvidas técnicas foram resolvidas em parte. Algumas terão resposta por escrito.

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