SÃO PAULO - Os três principais candidatos à Prefeitura de São Paulo escolheram a periferia da capital para iniciar oficialmente suas campanhas eleitorais. Marta Suplicy, do PT, Geraldo Alckmin, do PSDB, e Gilberto Kassab, do DEM, visitaram ontem bairros carentes da cidade e começaram a batalha pelo voto dos eleitores de baixa e média renda.

Em busca dos primeiros votos, os três optaram pela zona leste, região que concentra 35% do eleitorado da cidade, e escolheram o mesmo bairro, Ermelino Matarazzo, para fazer corpo-a-corpo. Tradicional reduto petista, o distrito foi marcado por um avanço do PSDB em 2004, quando Serra venceu Marta por 57% a 44% dos votos válidos no segundo turno.

Na manhã fria do domingo, Marta participou de missa campal no bairro, às 10h, e visitou a festa das nações, organizada pela paróquia São Francisco. Ao lado do vice, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), e do senador Eduardo Suplicy (PT), a candidata petista comeu bolinho de bacalhau, tomou caldo verde e piña colada. De noite, foi a vez de Alckmin e Kassab pedirem o voto do mesmo eleitorado.

O foco dos tucanos é justamente batalhar parar tirar esse eleitorado de Marta, segundo o coordenador da campanha de Alckmin, deputado Edson Aparecido. A prioridade dos tucanos, a princípio, é diminuir a resistência que eles têm na periferia. Vamos a fundo nas zonas sul e leste. São as regiões mais populosas, onde Alckmin tem potencial para crescer. Vamos investir nos extremos da cidade .

O primeiro ato de campanha tucana foi uma indicação da estratégia. Alckmin fez uma caminhada nas ruas de Capão Redondo, outro reduto petista, no extremo sul. O bairro deu à Marta 58% dos votos válidos no segundo turno contra 42,2% de Serra em 2004. A zona sul tem um terço do colégio eleitoral da cidade e segundo pesquisa do Datafolha, divulgada ontem, é a região da cidade onde Marta mais concentra votos: 44% do total.

De lá, o tucano foi para a Tatuapé (zona leste), para o lançamento da candidatura do vereador Juscelino Gadelha (PSDB). Vamos priorizar a cidade que precisa mais, o eleitorado carente. Precisamos diminuir a desigualdade e trabalhar por uma cidade mais justa , afirmou Alckmin. O apoio dos vereadores foi tímido: além de Gadelha, estavam apenas Tião Farias e José Rolim. A bancada apóia, em sua maioria, o prefeito Kassab.

A aproximação dos adversários em redutos da periferia preocupa a campanha de Marta, que sentiu os avanços do PSDB em regiões do extremo da cidade em 2004. Além dos tucanos incorporarem o discurso social, Kassab usará obras e projetos iniciados na gestão petista, como os Centros Educacionais Unificados (CEUs), para tentar conquistar votos nessas regiões.

Vice de Marta, Aldo, entretanto, minimizou a força dos outros candidatos junto aos mais pobres. A vantagem sobre a classe trabalhadora não se dá por propaganda. É fruto da história, do compromisso , disse. Ele considerou que o PT tem que ganhar o apoio da classe média. Os candidatos têm de investir onde são fracos e ampliar a diferença onde têm força .

A pesquisa do Datafolha divulgada ontem mostrou que 43% das pessoas com ensino fundamental votariam na petista. Esse percentual cai para 24% entre aqueles com ensino superior. Alckmin tem apoio de 26% dos entrevistados com ensino fundamental e de 37% dos com nível superior. Já Kassab tem 10% e 25%, respectivamente.

Marta está em primeiro lugar nas intenções de voto, com 38%, seguida por Alckmin, com 31% e Kassab, com 13%. Os três disseram ter recebido o resultado com humildade . A campanha está começando agora , comentou Alckmin. Kassab disse estar feliz com o resultado. Diferentemente dos meus principais adversários, nunca ocupei a posição de candidato a cargo majoritário. Começo agora minha primeira campanha assim. Espero mostrar o que fizemos ao longo da gestão , disse o prefeito. Marta comemorou e evitou criticar os adversários. Em campanha não se escolhe adversário como alvo. O mais inteligente é fazer proposta à cidade. Quero discutir propostas .

Kassab espera que sua candidatura decole quando começar a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Além de estar em terceiro lugar na pesquisa, a reprovação à gestão subiu 6 pontos percentuais desde maio (de 20% para 26% entre os que consideram ruim ou péssima). Ele terá o maior tempo na televisão e a campanha será a mais cara de São Paulo, segundo previsão entregue ao Tribunal Regional Eleitoral. O prefeito pretende gastar até R$ 30 milhões. Marta e Alckmin prevêem R$ 25 milhões cada. O deputado Paulo Maluf (PP) estima gastar R$ 5 milhões.

As campanhas consumiram poucos recursos até agora. Tanto Alckmin quanto Marta ainda não distribuíram folhetos ou bandeiras e esperam da Justiça Eleitoral a definição de um número de CNPJ para fazer o material. Marta planeja um ato para o dia 14. Kassab ainda vai a eventos como prefeito. Ontem, participou da comemoração do dia do Bombeiro, da Fórmula Truck, de festa popular e foi a Ermelino.

(Cristiane Agostine | Valor Econômico, com agências noticiosas)

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