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Uma hemorragia. Foi assim que o mercado definiu a repercussão da crise americana no setor financeiro da Europa.

Enquanto Bancos Centrais se esforçavam para dar sinais de estabilidade, analistas e investidores se interrogavam ontem qual seria a primeira instituição bancária européia a seguir o mesmo destino do Lehman Brothers.

Ontem, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra injetaram mais de US$ 50 bilhões no mercado financeiro. O objetivo era demonstrar que as autoridades não estavam dispostas a deixar que o sistema entrasse em colapso. Não foi o suficiente.

Enquanto as bolsas européias despencavam, as ações de alguns dos bancos do continente perdiam mais de 10% de seu valor. Só o UBS, maior banco suíço, fechou com perdas de 14,5%. BNP Paribas, Credit Agricole, Dexia, Fortis e Societe Generale tiveram quedas de 6% a 9%. A queda do Credit Suisse chegou a 9%.

O UBS foi o banco europeu que mais sofreu com a crise até agora. Rumores de perdas de US$ 5 bilhões deixaram o mercado ainda mais nervoso. A assessoria do banco suíço insistia em que havia tomado medidas suficientes para evitar a crise. "Reforçamos nossa posição e nos recapitalizamos para absorver choques do mercado", afirmou a assessoria do banco. Mas analistas indicam que o modelo adotado pelo UBS para se financiar mostrou que tem seus limites, diante da quebra do Lehman Brothers. As ações do Lehman caíram em 80% na bolsa de Frankfurt.

Além do UBS, quatro dos cinco maiores bancos da região sofrem com problemas de crédito. No total, as bolsas européias já perderam mais de 26% neste ano.

O índice Dow Jones na Europa fechou com queda de 3,5%. Mas seguradoras e bancos registraram perdas acima de 6%. Na prática, todos os setores da economia européia sofreram ontem. Os bonds emitidos pelo governo alemão fecharam com queda de 4,4%. A Bolsa de Frankfurt encerrou o pregão com queda de 2,7%, ante 3,8% na França. No Reino Unido, as ações caíram 3,9%.

Para o mercado, o sinal era de que o impacto do Lehman seria sentido por outras instituições européias. Os bancos mais afetados, segundo a avaliação, seriam os ingleses, franceses e belgas. No Reino Unido, as ações do HBOS caíram 17.6%. Já o Bradford & Bingley sofreu queda de 15,4%. Na França, a baixa do Natixis foi de 14,6%.

O que mais preocupa os analistas é o fato de os 27 países da UE não contarem com posição conjunta sobre o que deve ser feito para lidar com a crise em um banco, se ela cruzar o Atlântico de vez. Todos concordam em que deve haver maior supervisão dessas instituições, para evitar quebras.

Até 2012, as formas de anunciar resultados serão harmonizadas, mas alguns desses bancos podem não sobreviver até lá. Inglaterra, França e Alemanha não querem intromissão de investidores estrangeiros em seus bancos, sugerindo medidas ou propondo recapitalizar com dinheiro de fundos soberanos da China ou de países do Oriente Médio. Já os países menores da UE que contam com investimentos em bancos de outras economias da região querem ter mais voz.

"Essa situação é semelhante à de um protecionismo", afirmou o presidente do BC finlandês, Erkki Liikanen. Espanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo também querem voz no futuro dos bancos europeus. Na França, a ministra de Finanças, Christine Lagarde, admitiu: A UE deve se preparar porque dificilmente vai conseguir evitar um choque.

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