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Perdigão prevê dificuldades no 1o trimestre e corta produção

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - A Perdigão reduzirá em 20 por cento sua produção de frangos, perus e suínos no primeiro trimestre de 2009, para enfrentar uma queda na demanda, especialmente no exterior, e ajustar seus estoques num momento em que os importadores estão bastante estocados, disseram executivos da empresa nesta terça-feira.

Reuters |

"Acontece é que vai ter que ajustar a produção para se desestocar, pelo fato de a demanda estar um pouco mais fraca e o crédito mais restrito", declarou o diretor financeiro da Perdigão, Leopoldo Saboya, em evento com jornalistas.

"O problema maior é externo. Vamos ter um ajuste de volumes e preço", acrescentou ele, separadamente à Reuters.

No mercado interno, a companhia prevê menor impacto da crise financeira.

A empresa, uma das maiores do setor de alimentos do Brasil, pretende dar férias coletivas para parte dos seus 59 mil funcionários no primeiro trimestre e realizar algumas paradas em unidades, mas não detalhou o plano.

Segundo Saboya, a queda no primeiro trimestre nas exportações é em relação ao ritmo intenso registrado durante este ano. "Comparado com o primeiro trimestre de 2008, os volumes estarão ligeiramente abaixo. O mundo está se desestocando", declarou ele.

Já o diretor da Área Internacional da empresa, Antônio Augusto De Toni, disse que a exportação no primeiro trimestre deverá cair 5 por cento em relação ao volume registrado até outubro, antes de a crise se acentuar.

No terceiro trimestre, as exportações da companhia saltaram 70 por cento ante o mesmo período do ano passado, para 1,39 bilhão de reais, equivalente a cerca de 40 por cento da receita bruta.

Além da queda em volumes, disse Toni, a empresa deve enfrentar uma queda de 10 por cento no preço no primeiro trimestre, ante valores anteriores à crise.

Toni observou ainda que, pelas informações do mercado, outras empresas do país também estão cortando a produção em 20 por cento.

No caso da Perdigão, a corte na produção se faz necessário até que os grandes estoques no Japão e na Europa, que respondem por mais de 50 por cento das vendas externas da companhia, sejam eliminados, segundo Toni.

Para reduzir a produção, a empresa vai quebrar ovos de frangos e perus e cancelar o abate de suínos de terceiros.

Parte da produção que deixou de ser embarcada em novembro devido a problemas no porto de Itajaí (SC) será utilizada para compensar a redução da produção em meio às férias coletivas.

Cerca de 20 por cento do volume de carnes que deixou de ser embarcado em novembro, por causa das inundações, será exportado nos primeiros meses de 2009.

MELHORA A PARTIR DE ABRIL

A companhia trabalha com a perspectiva de normalização do mercado depois do primeiro trimestre do ano que vem, disse De Toni. E executivos da empresa avaliam que, após o ajuste na produção, haverá espaço para crescimento nas exportações, não no ritmo frenético anterior à crise, mas em percentuais razoáveis.

"É possível crescer 5 por cento nas exportações (em volumes) no ano que vem", destacou Saboya, evitando fazer previsões sobre o faturamento, uma vez que os preços estão também passando por um ajuste.

"Esperamos crescer... Vamos ganhar mercados no exterior dos americanos", ressaltou o presidente-executivo da empresa", José Antônio do Prado Fay, explicando que o câmbio em 2009 favorecerá mais os brasileiros, ao contrário do que ocorreu em 2008, quando o dólar ajudou os norte-americanos.

Além disso, o Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, ainda conta com matéria-prima mais barata em relação aos Estados Unidos.

Com as perspectivas de retomada após o ajuste, a empresa manterá em 2009 o mesmo volume de investimentos feitos em 2008, e deverá contar com 600 milhões de reais, que serão utilizados principalmente para aumento da capacidade de produção das suas unidades.

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