Nova York, 2 mar (EFE).- Os mais de US$ 60 bilhões que a American International Group (AIG) perdeu nos últimos três meses de 2008, a maior perda acumulada por uma empresa no período de tempo, forçaram o Governo dos Estados Unidos a injetar US$ 30 bilhões na seguradora para resgatá-la da crise na qual se encontra imersa.

A companhia admitiu hoje que, só no quarto trimestre de 2008, perdeu US$ 650 milhões por dia, mais de US$ 7.500 por segundo.

Isso a transforma na empresa que mais dinheiro perdeu na história dos Estados Unidos e no resto do mundo em um só trimestre, devido em grande parte à sua atividade seguradora de instrumentos financeiros, especialmente os relacionados com os créditos hipotecários de alto risco que ajudaram a desencadear a atual crise internacional.

O ritmo de perdas e a dimensão do número de afetados - 76 milhões de clientes em 130 países - forçaram o Governo do presidente Barack Obama, que já controla 80% da AIG, a fazer um novo resgate, o quarto em seis meses, para tentar salvar contas infectadas por uma dívida que não pode ser cobrada e evitar, assim, a falência.

A Administração já injetou US$ 150 bilhões na AIG - US$ 60 bilhões em créditos, US$ 40 bilhões em ações preferenciais e US$ 50 bilhões em ativos incobráveis -, e tem consciência de que, pela importância que a empresa possui na economia americana, não pode deixá-la afundar, como fez com o Lehman Brothers em setembro.

"Dado o perigo sistêmico que a AIG continua representando, e a atual fragilidade dos mercados, o custo potencial para a economia e para os contribuintes da falta de intervenção do Governo seria extremamente elevado", admitiram hoje o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Departamento do Tesouro em nota conjunta.

A que já foi a maior seguradora do mundo por valor de mercado agora cota nas bolsas de Nova York a menos de US$ 0,50 por ação, após perder 99% do valor em um ano.

Em 2008, a empresa perdeu US$ 99,289 bilhões (o que significa US$ 37,84 por ação), frente aos US$ 6,2 bilhões de lucro em 2007 (US$ 2,93 por título).

Somente no último trimestre de 2008, as perdas chegaram a US$ 61,659 bilhões (US$ 22,95 por papel), frente aos US$ 5,292 bilhões de prejuízo (US$ 2,08 por título) um ano antes.

As perdas trimestrais, as quintas consecutivas, são mais que o dobro dos US$ 30 bilhões a mais que Washington ofereceu à AIG como parte do novo resgate negociado neste fim de semana.

Um dos pontos essenciais do novo plano é que envolve também as principais agências de classificação, que se comprometeram a manter as avaliações sobre a seguradora, o que evita que a companhia seja imersa em novas crises financeiras.

Além disso, o novo plano de resgate inclui um corte da taxa de juros que o Fed aplica a uma linha de crédito de US$ 25 bilhões concedida à AIG, o que fará com que a seguradora economize US$ 1 bilhão ao ano.

O projeto abrange também a concessão de novas ações preferenciais em duas divisões de seguros de vida da AIG (American Life Insurance Company e American International Assurance Company) para liquidar uma dívida de US$ 38 bilhões.

Com os resgates anteriores, o Fed emprestou, em setembro, à AIG um total de US$ 85 bilhões, enquanto em outubro forneceu mais US$ 38 bilhões e, no mês seguindo, elevou a ajuda para US$ 150 bilhões.

Por volta da metade do pregão, os títulos da AIG subiam cerca de 14% em Nova York, o que evidencia que os investidores mostraram hoje confiança no novo plano e, principalmente, na disposição do Governo americano de zelar pela sobrevivência futura da firma.

"Isso vai levar tempo e possivelmente vai requerer mais apoio público se os mercados não se estabilizarem e melhorarem", disseram o Fed e o Tesouro no comunicado conjunto.

O presidente e executivo-chefe da AIG, Edward Liddy, afirmou que a seguradora conseguirá devolver o dinheiro público recebido e que os novos US$ 30 bilhões são um "colchão de reserva" que a empresa "não tem por que usar necessariamente de forma imediata".

Ele acrescentou que as pessoas que possuem seguros da companhia "estão salvas, protegidas", porque "os problemas estão nos negócios secundários", não na área de seguros tradicionais, que, mesmo assim, foi afetada pela crise. EFE mgl/db

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