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SÃO PAULO - As perdas das empresas brasileiras, especialmente as exportadoras, com operações de derivativos de câmbio no mercado financeiro devem chegar à casa dos R$ 30 bilhões, de acordo com estimativa do economista Paulo Rabello de Castro, presidente da RC Consultores. O valor está baseado nas informações divulgadas ontem pelo governo, de que cerca de 220 empresas estariam expostas a tais operações.

O executivo chamou a atenção para a forma pouco transparente como essas operações são contratadas pelas empresas. Rabello, que é conselheiro de uma companhia com exposição "pequena" aos derivativos de câmbio, disse que os aportes nesses instrumentos são muitas vezes feitos diretamente pelas tesourarias e, em alguns casos, pela diretoria executiva das empresas, sem passar pelo crivo do conselho de administração.

Também criticou o fato de os tais derivativos serem negociados em mercado de balcão, ou seja, sem as garantias que a central de liquidação de uma bolsa poderiam proporcionar. "Quando há ausência de bolsa, com certeza aumenta o nível de risco", completou.

Até o momento, três grandes empresas brasileiras já reconheceram perdas totais de R$ 4,76 bilhões em derivativos de câmbio. O maior rombo foi do grupo Votorantim (R$ 2,2 bilhões), seguido por Aracruz (R$ 1,9 bilhão) e Sadia (R$ 760 milhões). No entanto, o governo lembrou ontem não ser possível saber com exatidão o número de companhias expostas, visto que muitas operações não passam pela intermediação do Banco Central.

Rabello de Castro comandou hoje uma reunião extraordinária do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio, também presidido por ele, em que foi discutido o impacto da crise financeira na economia brasileira.

(Murillo Camarotto | Valor Online)