Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Perdas com derivativos podem frear alta da Selic, diz ex-diretor do BC

SÃO PAULO - O agravamento da crise financeira e a conseqüente escassez de crédito podem levar à uma trégua no processo de aumento da taxa de juros brasileira. Com a indicação de que muitas empresas, especialmente as exportadoras, terão que fazer uso de financiamentos para zerar prejuízos oriundos de operações com derivativos de câmbio, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) poderá deixar o controle da inflação em segundo plano e interromper a alta da Selic durante a próxima reunião, marcada para os dias 28 e 29 deste mês.

Valor Online |

O raciocínio é do ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, que participou hoje de reunião extraordinária do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio. Na sua avaliação, continuar subindo o juro poderia dificultar ainda mais a vida das empresas em apuros e acabar comprometendo o crescimento econômico.

Por este motivo, ele acredita que, em tempos de turbulência internacional, o BC brasileiro deve seguir o movimento de seus pares mundo afora - que estão cortando juros - e segurar a Selic. "Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo: cuidar da inflação e fomentar liquidez", disse o executivo, hoje chefe da divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

"No atual contexto, é provável que o BC dê trégua aos juros, a não ser que o dólar dispare, o que não deve ocorrer", acrescentou Gomes, que projeta uma acomodação do dólar em um novo patamar, por volta dos R$ 2,00. "Com essa taxa, dá para as empresas zerarem parte dos prejuízos", completou.

Em meio à rápida valorização da moeda americana ante o real, algumas empresas exportadoras começaram a revelar perdas bilionárias com derivativos de câmbio, operações pelas quais as companhias apostaram pesado na tendência diametralmente inversa, de desvalorização do dólar.

Até o momento, três grandes companhias brasileiras já reconheceram um rombo total de R$ 4,76 bilhões nesses instrumentos. O maior foi do grupo Votorantim (R$ 2,2 bilhões), seguido por Aracruz (R$ 1,9 bilhão) e Sadia (R$ 760 milhões). O governo revelou ontem não ser possível saber com exatidão o número de companhias expostas, visto que muitas operações não passam pela intermediação do Banco Central.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG