A Aracruz enfrenta a sua primeira ação judicial nos Estados Unidos por causa das perdas bilionárias com operações com derivativos. O escritório de advocacia Saxena White P.

A. entrou com um processo contra a empresa na corte da Flórida, pedindo indenização por danos causados com essas operações, que teriam violado as leis do mercado de capitais norte-americano. Segundo comunicado da própria Aracruz, a "class action" (espécie de ação civil pública) teria sido proposta em nome de acionistas da companhia que adquiriram American Depositary Receipts (ADRs) e/ou ações da empresa no período entre 7 de abril e 2 de outubro deste ano.

Em comunicado assinado pelo diretor de relações com investidores da empresa, Marcos Grodetzky, a Aracruz informou não ter sido "cientificada oficialmente a respeito da referida class action e, tão logo disponha de maiores informações, prestará ao mercado e às autoridades regulatórias os esclarecimentos devidos".

A Aracruz registrou uma perda de US$ 2,13 bilhões com operações de derivativos cambiais. Esse prejuízo provocou uma verdadeira revolução nos planos da empresa. O investimento na expansão da fábrica de Guaíba, no Rio Grande do Sul, por exemplo, teve de ser adiado. E a reestruturação no controle da companhia, que estava praticamente fechado, entrou em compasso de espera.

A Votorantim Celulose e Papel (VCP), que já era acionista da empresa, acertou a compra da participação da família Lorentzen por US$ 2,7 bilhões. Depois disso, acertou também um acordo com o Safra para a divisão do controle da empresa entre os dois grupos. Com as perdas, a assinatura do acordo entre VCP e Lorentzen foi adiado, sem data para ser concluído.

Na última segunda-feira, os acionistas da Aracruz decidiram, em assembléia, processar seu ex-diretor financeiro, Isac Zagury, pelas perdas com derivativos. Desde que o prejuízo veio a público, a empresa vem dizendo que o conselho de administração não tinha conhecimento dessas operações.

Porém, Zagury afirmou, na terça-feira, que a direção da empresa tinha total conhecimento de tudo que era feito. Segundo ele, havia na empresa um Comitê Financeiro que supervisionava diretamente o trabalho do diretor-financeiro, principalmente em relação às operações com derivativos. E esse Comitê tinha um representante de cada acionista controlador. No Brasil, acionistas minoritários da Aracruz já estudam entrar na Justiça contra a empresa, usando as declarações de Zagury como argumento.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.