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Perda com câmbio afeta fusão da Aracruz e VCP

A Votorantim está diante de uma encruzilhada. O que há duas semanas parecia ser o negócio do ano - a união da Votorantim Celulose e Papel (VCP) com a Aracruz - virou um problema de difícil solução.

Agência Estado |

A questão se resume a um ponto: quem vai pagar a conta pelo prejuízo bilionário da Aracruz em apostas com derivativos de câmbio.

Hoje, o controle da Aracruz é dividido entre o Grupo Votorantim, a família Safra e a família Lorentzen. Acordos firmados nos últimos meses previam que a Votorantim compraria a parte dos Lorentzen por R$ 2,7 bilhões. Além disso, haveria uma troca de ações da família Safra na Aracruz com ações do Grupo Votorantim na VCP.

O resultado seria a fusão da VCP com a Aracruz, criando a maior fabricante de celulose do mundo. A nova Aracruz - como a empresa resultante da fusão está sendo chamada - seria controlada pela Votorantim e pelo Safra, cada um com 50% das ações com direito a voto.

O negócio começaria a ser fechado ontem, com o pagamento da Votorantim para os Lorentzen, mas agora está no ar. O pagamento foi suspenso depois que veio a público o prejuízo da Aracruz com derivativos. Ainda não se sabe se será possível manter o acordo original.

As perdas da Aracruz foram estimadas R$ 1,95 bilhão, por enquanto. Como as apostas em derivativos de câmbio fazem parte de contratos em andamento, elas têm o potencial de causar perdas ainda maiores - caso o dólar continue em alta.

Essas perdas não só provocam um rombo no caixa, como levaram a uma queda de 38% no valor da Aracruz na Bolsa em uma semana. Com isso, o preço acertado pela Votorantim para comprar as ações dos Lorentzen ficou alto demais.

Se mantiver o pagamento acertado antes da crise, a Votorantim não só vai ter prejuízo como pode ter problemas de mercado. A operação está sendo feita por meio da VCP, que é uma companhia com ações negociadas na Bolsa de Valores e tem acionistas minoritários. Esses acionistas podem questionar na Justiça o alto preço pago por uma Aracruz combalida.

Segundo fontes ligadas às empresas, a Votorantim examina várias alternativas do que fazer diante da nova situação. E todas elas têm um custo alto.

A Votorantim teria considerado desistir da compra, acionando uma cláusula do contrato que prevê a anulação do negócio. O problema é que, nesse caso, teria de pagar uma multa de R$ 1 bilhão aos Lorentzen.

Outra alternativa seria reduzir o preço pago pelas ações dos Lorentzen e dos Safra na Aracruz, com base numa cláusula de MAC (mudanças materiais adversas, na sigla em inglês). A idéia seria abater o pagamento pela metade, mas há outra dificuldade.

A Votorantim não pode pedir um abatimento no preço usando como argumento problemas ou surpresas na gestão da Aracruz. Afinal, a própria Votorantim é uma das controladoras e tem pessoas de sua confiança na administração da companhia.

Sem saída fácil, os sócios se reuniram na sexta-feira e resolveram adiar as conversas, esperando a melhora das condições de mercado. Procurada pela reportagem do Estado, a Votorantim informou que o negócio foi adiado, mas está de pé.

"A Votorantim esclarece que a postergação da data de fechamento da operação prevista para hoje (6 de outubro) foi devida a conveniência das partes envolvidas, tendo como objetivo aguardar uma maior estabilidade dos mercados. Isso em nada altera o que está acordado entre as partes, assim como não afeta o interesse da Votorantim em criar, a partir da integração e captura de sinergias de VCP e Aracruz, uma empresa líder mundial no setor de celulose", informou o grupo, em uma nota enviada ao Estado. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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