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O debate sobre como salvar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) será transferido nesta semana para Pequim. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer aproveitar a presença de líderes de vários países na abertura da Olimpíada para tratar do tema.

Lula, por telefone, pediu ao presidente americano, George W. Bush, há três dias, que convencesse o governo indiano a tentar superar o impasse.

Enquanto isso, em Genebra, sede da OMC, diplomatas e advogados brasileiros se reúnem, amanhã, para montar um plano de retaliação contra os Estados Unidos por causa dos subsídios, no valor de US$ 4 bilhões.

Depois de sete anos de negociações, a OMC fracassou em chegar a um acordo, na semana passada. Parte do problema foi a insistência da Índia na criação de barreiras contra surtos de importação de alimentos, recusada pelos Estados Unidos.

Mas, para alguns ministros, o problema central dos EUA não é esse. A rejeição teria sido uma forma de evitar temas mais sensíveis ao país, como os subsídios ao algodão.

Lula espera atuar como uma espécie de mediador nesse tema. Bush também estará em Pequim e, segundo fontes em Genebra, a idéia é que o assunto surja nas conversas com outros líderes. Lula, em seu programa Café com o Presidente, confirmou que pretende se reunir com o presidente chinês, Hu Jintao. A iniciativa não agrada a Pequim, que quer evitar debates políticos na abertura dos Jogos Olímpicos, na sexta-feira.

A vontade de Lula de não deixar Doha morrer antes do fim de seu mandato o fez ligar para Bush. A conversa teria durado dez minutos. Segundo a Casa Branca, os dois estariam comprometidos em relançar as negociações.

Já o chanceler Celso Amorim parece ter mudado de idéia. Em Genebra, afirmou que o processo tinha 1% de chance de ser relançado no curto prazo, em parte por causa das eleições nos Estados Unidos, no segundo semestre. Ontem, no programa com o presidente, disse que movimentos políticos como o iniciado por Lula com o presidente americano poderiam relançar o processo.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, também está engajado na retomada. Na semana que vem, vai à Índia e também terá encontros com a representante de Comércio da Casa Branca, Susan Schwab.

Retaliação

O fracasso de Doha deve provocar uma nova onda de disputas na OMC. Amanhã, diplomatas brasileiros em Genebra discutem a retaliação contra os EUA por não terem retirado os subsídios ao algodão. A OMC condenou os subsídios em 2005, mas até hoje Washington não tomou providências. O Brasil já indicou que quer uma retaliação cruzada, com a suspensão de patentes.

Ontem, no Financial Times, Amorim confirmou duas novas disputas, uma contra a sobretaxa ao etanol e outra contra cerca de 80 programas de apoio do governo americano ao setor agrícola. "Esse processo será acelerado", disse Amorim.