O secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Elias anunciou que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devem lançar, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), no primeiro semestre, um amplo programa de incentivo à inovação no País com forte alavancagem da oferta de recursos e foco nas pequenas e médias empresas.

O anúncio foi feito, na quarta-feira, durante o Seminário de Avaliação da Política de Desenvolvimento Produtivo, realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O Ministério e o BNDES, a pedido da Confederação Nacional da Indústria, se incorporaram à Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), com o objetivo de estabelecer um discurso coordenado para promoção da competitividade brasileira a partir da inovação, afirma Elias.

Para ele, existe pouco conhecimento, por parte do setor empresarial, sobre o tema inovação e sobre os instrumentos oferecidos pelo governo para incentivar as práticas inovadoras, sobretudo nas médias e pequenas empresas. As maiores companhias brasileiras conhecem todas as alternativas e recursos disponíveis para investir em inovação, diz Elias. Já os empresários de médio e pequeno porte, que desempenham múltiplos papéis dentro da organização ¿ diretor, vendedor, jurídico, financeiro ¿ dispõem de pouco ou nenhum tempo para dedicar à busca de incentivos para inovação.

Ele reconhece, no entanto, que o poder público precisa melhorar sua comunicação tanto para atender melhor o usuário desses instrumentos, quanto para oferecer soluções integradas. É nessa linha que pretendemos atuar, diz.  

Elias afirma ainda que a questão cultural representa um entrave para muitos empresários. A inovação se dá no tempo, exigindo planejamento e esforços de médio e longo prazos, diz. Como mostra a última edição da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), mais de 80% dos investimentos em inovação feitos pelas empresas estão relacionados apenas à aquisição de máquinas e equipamentos, o que reflete o imediatismo dos empresários brasileiros.

Para Elias, isso significa que os empresários querem, com essa política, oferecer recursos mais modernos aos clientes e aumentar seus lucros. Mas, mesmo essas compras poderiam ser mais bem aproveitadas se houvesse um processo de gestão da inovação que permitisse ao empreendedor reter conhecimentos e incorporar novas tecnologias, diz.

Durante o seminário da Fiesp, foram discutidos ainda temas como o aumento de recursos disponíveis nas fundações de amparo à pesquisa, incentivos fiscais e o uso do poder de compra do Estado para estimular o desenvolvimento científico e tecnológico.

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