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Pequena empresa já enfrenta efeitos da crise

Dona de uma indústria de produtos de higiene hospitalar e cosméticos, a empresária Fabiana Hübner estava animada com as perspectivas do negócio para 2009. A conquista de mercados e a expansão das vendas fizeram a pequena fábrica em São Paulo atingir o limite da capacidade produtiva.

Agência Estado |

"Nossa produção cresceu sete vezes de 2002 até hoje", diz a empreendedora, que previa crescer mais de 50% no próximo ano.

Há dois meses, ela resolveu pedir empréstimo a um banco privado para financiar a expansão da fábrica e a compra de equipamentos. Os juros e o prazo do financiamento se ajustavam ao orçamento da companhia. "A chance de aprovação era grande", conta. Mas, desde o início de outubro, com o agravamento do crise financeira mundial, as negociações com a instituição travaram. "As linhas de crédito disponíveis foram todas suspensas."

O problema enfrentado por Fabiana mostra que a crise já bate à porta das pequenas empresas brasileiras. Para alguns especialistas, em momentos de crise econômica, elas sofrem até mais que as grandes corporações. "A pequena não tem o fôlego que uma grande empresa. Ela não possui reserva para parar e esperar o que vai acontecer", diz o professor de empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Tales Andreassi.

A suscetibilidade dos pequenos negócios também se revela maior em um dos efeitos da crise: restrição ao crédito. "Os bancos estão apertando as empresas, em busca de garantias reais, como imóveis, para seus empréstimos", diz Laecio Barreiros, diretor da L & Barreiros Controladoria, especializada em gestão financeira e controladoria. As pequenas e médias empresas, muitas vezes, não têm os ativos exigidos. "Esse empresário vai crescendo com o próprio movimento do negócio. Poucos formam um patrimônio no curto prazo."

A informalidade dessas empresas também prejudica a busca de crédito. Isso porque a preocupação dos bancos com a saúde financeira das empresas aumentou. E as pequenas não mantêm o mesmo rigor que as grandes com os balanços e a documentação das finanças. "O que o mercado não quer hoje é garantia podre", diz Barreiros.

Já os microempresários sofrem de forma diferente os efeitos da crise. Segundo dados do Sebrae-SP, apenas 36% tomam empréstimos no sistema bancário. "Esses, se já tinham dificuldades antes, agora terão ainda mais", diz o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella.

Os que estão de fora do mercado tradicional usam recursos próprios ou da família, o que continuarão fazendo, afirma Tortorella. Por isso, o impacto imediato nesses empreendimentos virá da retração no consumo. "Em momentos de instabilidade, as pessoas compram menos", diz Andreassi, da FGV. A desaceleração do consumo, segundo o professor, também acertará em cheio os pequenos negócios. A redução da atividade de indústrias que mantêm uma cadeia de produção longa, como a automobilística, também deve puxar para baixo o desempenho das pequenas, médias e microempresas. "A hora é de manter o rigor nos gastos e o conservadorismo no planejamento", aconselha. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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