Com apenas um ano de atividade, a empresa Pam Membranas atingiu uma posição cobiçada: participar do bilionário mercado de petróleo e gás, como fornecedora da Petrobrás. A companhia, criada em 2005 por quatro pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), produz membranas microporosas, uma tecnologia inovadora para tratar a água utilizada na produção de petróleo.

"Quando decidimos ir para o mercado, sabíamos que nosso produto tinha potencial para a cadeia", diz Ronaldo Nóbrega, diretor da empresa. No ano passado, ela venceu sua primeira licitação com a estatal.

Encontrar oportunidades nessa indústria - e conseguir explorá-las, como fez a Pam Membranas - tem sido o desafio de muitas pequenas e médias empresas . "Na maioria das vezes, elas estão prontas tecnologicamente, mas não têm requisitos exigidos pela indústria, como gestão em segurança, meio ambiente e saúde", explica Eliane Borges, coordenadora de um programa do Sebrae para incluir pequenos negócios na cadeia de petróleo e gás, em parceria com a Petrobrás. De 2004 até hoje, 2 mil empresas foram qualificadas para atender o segmento, num investimento de R$ 12 milhões.

Com o aquecimento do setor, o programa está sendo ampliado. A partir deste ano, serão destinados mais R$ 32 milhões ao convênio - o objetivo é dobrar o número de companhias participantes. O pontapé inicial dessa nova etapa foi dado na feira Rio Oil & Gás, que ocorre esta semana na capital fluminense, onde as pequenas podem fechar negócios com grandes companhias do setor de todo o mundo.

Além de promover palestras e feiras, o programa também financia até 80% de eventuais cursos de capacitação, treinamentos e consultorias. "A cadeia de petróleo e gás é uma das mais exigentes. Quem está preparada para ela pode fornecer para qualquer outra", diz Eliane.

Uma das participantes do programa, a Pam Membranas recebeu treinamentos em gestão e participou de feiras de negócios da área. Na empresa de tecnologia em robótica Armtec, de Fortaleza, o convênio ajudou a obter certificações, como a ISO 9001. "É difícil para uma empresa nascente chegar, sozinha, a moldes de gestão internacionais", afirma Roberto Macedo, diretor-executivo da companhia, que fornece para a estatal desde 2006.

A Armtec nasceu de um projeto de conclusão de curso, que consistia num robô para uso no combate a incêndio. A partir dele, foram criados outros 14 produtos - sendo sete destinados à cadeia do petróleo e gás. A indústria responde por 90% do faturamento da empresa, que deve dobrar sua receita em relação a 2007, chegando a R$ 1,2 milhão. "O contrato com a Petrobrás nos abriu as portas."

De olho na expansão do setor, Macedo trabalha em um protótipo de robô "mergulhador". Com tecnologia quase 100% nacional, o robô faz inspeções em cascos de navios e plataformas, substituindo o trabalho humano. Macedo acredita que poderá vender 100 a 200 unidades do produto nos próximos 20 anos. "Só existem similares no exterior, a um custo de R$ 400 mil a R$ 1 milhão. Queremos chegar a um preço final abaixo de R$ 300 mil", diz.

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