SÃO PAULO - A balança comercial da China ficou negativa em março. Trata-se do primeiro déficit mensal em seis anos, de acordo com dados divulgados pela Administração Geral de Aduana (GAC, na sigla em inglês), no sábado.

SÃO PAULO - A balança comercial da China ficou negativa em março. Trata-se do primeiro déficit mensal em seis anos, de acordo com dados divulgados pela Administração Geral de Aduana (GAC, na sigla em inglês), no sábado. As exportações da China somaram US$ 112,1 bilhões em março, o que representa uma alta de 24,3% na comparação anual. Por sua vez, as importações aumentaram 66%, para US$ 119,3 bilhões, resultando em um déficit de US$ 7,24 bilhões. Em fevereiro, o país asiático tinha registrado superávit comercial de US$ 23,7 bilhões. Segundo informações da agência de notícias Xinhua, esta é a primeira vez que o país asiático registra déficit na balança comercial deste abril de 2004, quando o saldo foi negativo em US$ 2,2 bilhões. Já a corrente de comércio (exportações mais importações), em março, aumentaram 42,8% contra igual mês do ano passado, para US$ 231,4 bilhões. No primeiro trimestre, por sua vez, a corrente de comércio somou US$ 617,8 bilhões, com um superávit de US$ 14,49 bilhões. A GAC atribuiu o déficit de março à contração nas exportações de produtos de alto valor agregado, elevando as importações e os preços de commodities."O déficit de março não configura uma recessão nem pode ser sustentado", diz o órgão, em nota, acrescentando que o déficit foi pequeno e que o país manteve o equilíbrio entre importações e exportações. Ainda segunda a GAC, o déficit corresponde a apenas 3,1% da corrente de comércio de março, um percentual bem inferior aos 10% do nível de alerta."O déficit de março se deve, principalmente, ao rápido crescimento das importações, em meio aos esforços da China para ampliar as importações para combater a retração econômica global", diz a entidade. "Os esforços da China (de expandir as importações) auxiliaram a recuperação da economia mundial e demonstraram que o país é responsável", acrescenta a GAC. Os dados mostraram ainda que o superávit comercial da China com os Estados Unidos, em março, registrou queda de 3,5% na comparação anual, para US$ 9,8 bilhões, enquanto com a União Europeia a retração foi de 13,1%, para US$ 6,9 bilhões. Por outro lado, o déficit com Japão mais que triplicou, na comparação com março do ano passado, ficando em US$ 6,53 bilhões. Por fim, segundo a Xinhua, a China ampliou de forma considerável o comércio com a Associação das Nações do Sudeste da Ásia (Asean). Vale frisar que a estimativa do órgão é de que o superávit comercial da China continue a cair, mantendo um equilíbrio comercial até o final do ano. O pesquisador do Instituto de Pesquisa do Ministério do Comércio, Li Jian, disse à Xinhua que o superávit comercial da China observa queda desde o início do ano."O déficit em março foi apenas uma extensão dessa tendência", disse ele. Segundo Jian, a China não persegue um superávit comercial de forma proposital, tendo adotado uma política de encorajamento das importações e equilíbrio comercial nos últimos anos. Com a melhora da economia, qualquer mudança nas expectativas das pessoas com relação a políticas macroeconômicas de liquidez e investimento pode influenciar as decisões de importadores e os preços de commodities importadas, acrescentou ele. (Karin Sato | Valor, com agências internacionais)
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