SÃO PAULO - A companhia aérea Azul, que planeja começar a operar vôos domésticos em janeiro do ano que vem, contratou Pedro Janot, ex-diretor do grupo Pão de Açúcar, para o cargo de presidente. Será a primeira experiência do executivo em empresas de aviação.

Janot fez carreira no setor varejista. Foi diretor da área de não-alimentos no grupo Pão de Açúcar entre janeiro de 2007 e fevereiro deste ano e antes foi o responsável por implementar as operações da cadeia espanhola Zara no Brasil - a empresa tinha 19 lojas quando Janot deixou seu comando. O executivo também ocupou cargos nas Lojas Americanas, na extinta Mesbla e na grife carioca Richard ? s, onde conduziu uma reestruturação bem-sucedida.

A experiência do executivo em logística, adquirida à frente da Zara, teria sido um dos pontos a favor de Janot quando ele foi escolhido como diretor de não-alimentos do Pão de Açúcar. A área englobava o segmento de vestuário e eletroeletrônicos, principalmente, e era considerada estratégica para a companhia. No início deste ano, porém, o comando do Pão de Açúcar passou para as mãos de Cláudio Galeazzi, que enxugou a diretoria e demitiu Janot, entre outros.

Procurada pelo Valor, a Azul não comentou a contratação. A empresa, fundada pelo empresário David Neeleman e um time de ex-executivos da americana JetBlue, contratou a consultoria Spencer Stuart para selecionar seu presidente. É a mesma empresa que recrutou David Barioni Neto, ex-vice-presidente da Gol, para a presidência da concorrente TAM. Neeleman, que também fundou a JetBlue, será o presidente do conselho da Azul. A empresa tem cerca de 20 executivos contratados nos cargos de vice-presidência, diretoria e gerência e deve iniciar agora as entrevistas com pilotos.

O plano da Azul é operar vôos diretos entre cidades de médio e grande porte, com aviões menores do que os da Gol e da TAM - ela tem 38 encomendas firmes dos jatos 195, da Embraer, com 118 assentos. A empresa já deu entrada para obter o certificado de companhia aérea na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e precisa obtê-lo até o fim de dezembro para seguir o cronograma planejado.

A Azul terá cerca de US$ 150 milhões como investimento inicial. Neeleman detém 80% das ações ordinárias (com direito a voto). As ações preferenciais são detidas por diferentes investidores, entre eles o fundo brasileiro Gávea, a Cia. Bozano e os fundos americanos Pequot Capita l e Weston Presidio.

(Roberta Campassi | Valor Econômico)

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