A dez dias das eleições, o vereador Carlos Apolinário (DEM), do mesmo partido do prefeito Gilberto Kassab, que tenta a reeleição, lançou um projeto de lei que prevê a gratuidade do transporte público vinculada à cobrança de pedágio urbano aos motoristas de veículos particulares que entrarem na área do centro expandido da capital. A cobrança prevista é de R$ 4 - ou seja, quem anda de carro subsidiaria a passagem de quem vai de ônibus.

A forma como o pedágio seria cobrado vai ficar por conta dos avanços da tecnologia, o que pode sair de novo do bolso do consumidor. Pode ser que o motorista tenha de pagar para pôr chip no veículo e receber um boleto em casa.

O objetivo da lei, segundo Apolinário, é fazer "justiça social" e diminuir a poluição do ar, com a conseqüente diminuição da frota. "Pode ser uma medida impopular em um primeiro momento para quem anda de carro. Depois do susto, com metade dos carros circulando, a proposta deve ganhar adesões."
Nas contas do vereador, dos 3,5 milhões de carros que circulam hoje no centro expandido, sobrariam apenas 1,7 milhão após a cobrança. "Muita gente que hoje vai na 25 de Março só para comprar um brinquedinho para o filho deixaria de ir se tivesse de pagar R$ 4."

Na justificativa apresentada à Câmara, o democrata argumentou que, com a cobrança dos R$ 4, os cofres municipais arrecadariam R$ 1,9 bilhão por ano. Segundo a matemática de Apolinário, a administração gasta R$ 3,5 bilhões anuais para custear o transporte público - cerca de 30% é usado para administrar o sistema.

"Sem esses custos de administração - sem pagamento de bilhete não haveria necessidade da manutenção dos cobradores, por exemplo -, a Prefeitura gastaria R$ 2,5 bilhões. Hoje, o prefeito já paga R$ 500 milhões para subsidiar o transporte. Sem nenhuma despesa a mais, daria para ter ônibus de graça. Teríamos 2 milhões de chateados e 8 milhões aplaudindo."

O projeto de Apolinário já despertou reações. "Não é justo a classe média pagar mais essa conta", disse o presidente da Câmera dos Vereadores, Antônio Carlos Rodrigues (PL). A proposta só deve ser encaminhada à Comissão de Justiça depois das eleições.

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