São Paulo, 10 - A partir de segunda-feira (16), a entrada da unidade de Alta Floresta do frigorífico Quatro Marcos, atualmente arrendada para a JBS, será bloqueada por pecuaristas da região. Os produtores cobram o pagamento de aproximadamente R$ 7 milhões em dívidas do Quatro Marcos, que não foram pagas, mesmo depois de a planta ter sido arrendada para a JBS.

A unidade tem capacidade para abater 800 cabeças por dia e foi assumida pela JBS juntamente com as plantas de Juara, Alta Floresta, Colíder, Cuiabá e São José dos Quatro Marcos. Desde que a JBS arrendou as plantas do Quatro Marcos, em julho deste ano, os pecuaristas cobram um posicionamento das duas empresas para o pagamento dos débitos.

"Nós vimos o Quatro Marcos fazer acordos com os pecuaristas que atendem unidades estratégicas e que eram do interesse da empresa, como Vila Rica e São José dos Quatro Marcos. O produtor não pode mais ser prejudicado como vem sendo", afirma Luciano Vacari, superintendente da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

A ideia de fechar a unidade de Alta Floresta é forçar que Quatro Marcos e JBS cheguem a um acordo sobre o pagamento das dívidas dos pecuaristas. Em conversas com os produtores, os dirigentes das unidades dizem que essa não é uma dívida da JBS e, por isso, cabe ao Quatro Marcos pagar.

Semanas depois que a JBS arrendou as plantas, chegou a ser marcada na sede da JBS, em São Paulo, uma reunião entre a empresas e representantes da Acrimat e da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). O encontro foi desmarcado e a conversa nunca mais ocorreu.

O frigorífico Quatro Marcos tem uma dívida total de R$ 427,86 milhões. Com os pecuaristas o montante é de R$ 35,7 milhões, sendo R$ 26 milhões com 273 produtores de Mato Grosso. No próximo dia 12 de novembro, em Jandira (SP), será realizada a terceira tentativa de acordo e aprovação do plano de recuperação judicial do frigorífico Quatro Marcos.

A segunda assembleia de credores foi suspensa no dia 27 de outubro e adiada para a próxima quinta-feira (12). Pela proposta original os pecuaristas seriam pagos pelo valor de face (sem correção), num prazo de 12 meses, com carência de mais 12 meses após a homologação do plano. Porém, pela proposta apresentada na última reunião, o pagamento seria feito após a aprovação do plano, somente em janeiro de 2011 e em 12 parcelas, e não a partir do mês da aprovação.

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