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Paulson exclui comprar papéis pobres e utilizar o pacote de US$ 700 bilhões em montadoras

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, declarou nesta quarta-feira que o governo desistirá de seu plano de compra de papéis podres dos bancos, estimando que é mais eficaz investir diretamente no capital das instituições. Ao mesmo tempo, Paulson excluiu a possibilidade de usar o pacote de 700 bilhões de dólares, recentemente aprovado pelo Congresso, em ajuda às montadoras americanas, que passam por uma grave situação financeira.

AFP |

"Nossa conclusão neste momento é a de que essa não é a maneira mais eficaz de usar os recursos do pacote", disse o secretário, ao referir-se ao setor automotivo.

Na forma atual, o plano de resgate do governo não contempla as montadoras de veículos, afirmou.

Os 700 bilhões de dólares colocados à disposição pelo Congresso têm por objetivo ajudar as instituições financeiras, frisou.

"Sei que os construtores de automóveis são importantes para os Estados Unidos", declarou Paulson durante entrevista à imprensa, na qual qualificou essa indústria de setor "chave" para o país.

"É preciso uma solução" para os três grandes grupos de Detroit (Ford, General Motors e Chrysler) que enfrentam dificuldades financeiras extremas, mas o plano de resgate concebido pelo Tesouro "está voltado para o setor financeiro", disse.

Na opinião de Paulson, os Estados Unidos não podem ser considerados os únicos responsáveis pela crise econômica e financeira atual.

Segundo o secretário americano do Tesouro, o plano de 700 bilhões de dólares, simplesmente, está voltado para dar prosseguimento as injeções de capital nos bancos que precisarem, e que também buscará os meios para ajudar o setor financeiro "não-bancário" dentro do Programa de Ajuda para Ativos em Dificuldades (TARP, sigla em inglês).

"Nas semanas passadas examinamos os benefícios relativos de comprar ativos podres relacionados com as hipotecas", afirmou.

O dinheiro do pacote deverá ser usado principalmente na compra de ações de instituições em dificuldade, insistiu.

Em entrevista coletiva em Washington, Paulson afirmou que o plano ajudou a estabilizar o sistema financeiro, mas há ainda muitos desafios pela frente e a turbulência nos mercados deve persistir por algum tempo.

General Motors e Ford, os dois maiores fabricantes de automóveis dos Estados Unidos, acumulam bilhões de dólares em perdas líquidas este ano. Desde a publicação, na sexta-feira, de seus resultados trimestrais, os apelos a um socorro de urgência são ainda mais prementes.

No topo da lista de solicitações do setor está uma dotação de 25 bilhões de dólares, votada no início de setembro pelo Congresso para ajudar a indústria automobilística americana a reorientar sua produção para modelos mais ecológicos. Por motivos burocráticos, esse dinheiro ainda não foi desbloqueado.

O fato é que essa soma já não é suficiente e precisa ser dobrada para 50 bilhões de dólares, valor cada vez mais consensual em Washington.

Mais preocupante, ainda, a General Motors advertiu que poderá iniciar 2009 com um nível de liquidez que já não lhe permitirá continuar, normalmente, suas atividades.

A GM emprega 250 mil pessoas somente nos EUA.

Este ano, o número de carros vendidos nos EUA deve atingir seu nível mais baixo desde o início da década de 1980, com uma queda de mais de 25% em relação a 2007, de acordo com algumas estimativas.

Entre os três fabricantes nacionais (GM, Ford e Chrysler), é a GM que concentra as preocupações do mercado em curto prazo.

Nem a Ford, nem a GM podem fazer um novo apelo no mercado para levantar capital, diante da queda livre de suas cotações. A menos de 2 dólares por ação, a Ford vale menos de 4 bilhões de dólares na Bolsa. A GM, ex-número um mundial, está avaliada, agora, em menos de 2 bilhões de dólares.

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