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A alta dos preços de material de construção está forçando o consumidor a rever o orçamento para reformas e novas obras. No período que vai de julho a setembro, apenas 5,4% dos paulistanos planejam comprar produtos para pequenos reparos, de acordo com o Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA).

No trimestre anterior, o índice era de 6%. Entre as pessoas que pretendem comprar, a previsão de gastos também é maior: R$ 3.670,40 no terceiro trimestre.

O coordenador de cursos do Provar, Marcos Luppe, explica que a inflação levou parte dos consumidores a desistir ou adiar as compras. E quem está com reformas em andamento ou já se planejou para iniciar as obras prevê gastos mais altos.

"As pessoas que estão fazendo reformas em casa, até por conta das notícias de aumentos de preços, já esperam pagar mais pelos produtos", diz Luppe.

Em junho, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 2,67%. No acumulado dos 12 meses anteriores, o aumento foi de 8,7%.

Os preços dos alimentos, que estão em trajetória de alta, também contribuem para que os consumidores deixem de comprar materiais de construção. "No geral, como a renda média do brasileiro é baixa, acaba sobrando menos dinheiro para a compra de produtos", diz Luppe. "As pessoas priorizam o que é essencial, como os alimentos e a educação."

A aposentada Lorentina Freitas Gregório, 53 anos, visitou na semana passada uma loja de materiais de construção em busca de tinta para portas. "Passei uma base e lixei uma porta em meu apartamento. Agora, quero pintá-la", afirmou. "Espero gastar, no máximo, R$ 50."

Atenta aos preços, Lorentina pintou uma parede há cerca de dois meses e, agora, planeja trocar o piso da sala e do quarto. "Mas só daqui a seis meses", disse. "Devo gastar cerca de R$ 600 com o piso e espero juntar o dinheiro antes, para pagar à vista."

O comerciante Antônio Macedo, 48 anos, comprou fios e luminárias para a reforma de uma loja. "Estou montando uma pastelaria e tenho comprado bastante", disse.

Na fase final da reforma, o comerciante estima ter gasto, nos últimos 40 dias, cerca de R$ 20 mil. "Tenho pesquisado preços em vários lugares e notei que eles estão subindo", afirmou. "Comprar em lojas maiores é mais vantajoso, porque os preços são mais baixos. Mas percebi até mesmo um aumento dos custos por causa do novo rodízio de caminhões em São Paulo."

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