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BRASÍLIA - A forte desvalorização do mercado acionário com a crise global gerou uma perda de cerca de R$ 20 bilhões na carteira de investimentos dos fundos de pensão em 2008, fechada em R$ 416,4 bilhões ante R$ 436 bilhões da posição de 2007. As aplicações em renda variável caíram de 34% para 28%, segundo divulgou hoje a Secretaria de Previdência Complementar (SPC), do Ministério da Previdência Social.

Basicamente em função da desvalorização das carteiras de ações, a rentabilidade dos ativos totais (R$ 442 bilhões) das 372 entidades fechadas de previdência privada foi negativa em 1,27% em termos nominais, na média. O resultado real foi ainda pior, em 14,29% negativos, quando medido em relação à meta atuarial correspondente à variação do INPC mais 6% ao ano.

Tomando o acumulado desde 2003, porém, a rentabilidade nominal ficou em 166,09%, e em 29,74% acima da meta atuarial.

O titular da SPC, Ricardo Pena, não considerou preocupante os resultados negativos da indústria de fundos de pensão. Ele justificou que "os grandes fundos registram superávits atuariais há algum tempo", e por isso não foram muito atingidos pelo crise.

Mesmo assim, Pena apontou que cerca de 90 planos previdenciários, entre os 1.037 cadastrados de todo o sistema, tiveram perda de R$ 37 bilhões no superávit, que saiu de R$ 76 bilhões em 2007 para R$ 39 bilhões em 2008.

Já cerca de 120 planos (o secretário não apontou por quais entidades são administrados) registraram déficit atuarial de R$ 15 bilhões no ano passado. Cada plano deficitário deverá encaminhar programa de recuperação à SPC, segundo Pena.

Os dados da SPC apontam que existem hoje 6,8 milhões de participantes e assistidos dos fundos de pensão no país, uma indústria privada, já que apenas 21% do total ou 80 entidades ainda têm entes públicos (344) como patrocinadores.

(Mônica Izaguirre | Valor Ecobômico e Azelma Rodrigues | Valor Online)

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