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Passageiros acusam companhia de descaso

Pessoas frustradas e falta de informação. Esse era o cenário ontem no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Agência Estado |

Nas áreas de embarque e de desembarque, histórias de argentinos e de brasileiros prejudicados com atrasos e cancelamentos de vôos da Aerolíneas Argentinas se multiplicavam. Mas todas concordavam em um ponto: o descaso da companhia aérea com o bem-estar dos passageiros.

Era o caso da banda argentina Guizlo Español Cuarteto. Os músicos Alejandro Ginsbrug e Oscar Albieu esperaram durante todo o dia de ontem para embarcar em vôo da Aerolíneas com destino a Buenos Aires, previsto para as 9 horas. Até as 16 horas de ontem, não conseguiram sair do aeroporto. "Esperamos embarcar agora, às 17 horas", disse Alejandro. Oscar comentou que os músicos sempre viajaram pela empresa, mas foi a primeira vez que tal atraso ocorreu. "Não houve nenhuma explicação por parte da empresa", disse Oscar.

A família do empresário Roberto Nunes, de seis pessoas, aguardava na fila do check-in para embarcar para Buenos Aires. De lá, pegariam um vôo para Bariloche, onde planejavam esquiar. "A viagem estava planejada há um mês", disse Nunes. "Só Deus sabe quando vamos chegar a Bariloche."

O ambiente também era de preocupação no setor de chegadas de vôos internacionais. Na área de desembarque, famílias esperavam notícias de parentes, brasileiros que ficaram horas em aeroportos e até dentro da aeronave, aguardando o retorno ao Brasil. Foi o caso do cantor Zeca Pagodinho, que só chegou ao Brasil anteontem à noite, de Bariloche, após sofrer com um atraso de cinco horas. O músico estava de férias com os filhos e ficou revoltado com a situação. "O avião lotado, com uma porção de crianças, um banheiro imundo e gente mal-educada e desatenciosa com a gente. Uma coisa de doido, nunca vi isso", disse. "Aerolíneas Argentinas: maior muquiranagem que você pode conhecer no mundo", reclamou.

O estudante Lucas Araújo Moreira, de 16 anos, que foi esquiar em Bariloche, teve sua primeira viagem internacional estragada ao ter de dormir no chão do aeroporto de Buenos Aires, à espera de algum vôo para o Brasil. "Nunca mais eu vou por essa companhia. Prefiro ir a pé!", disse, enquanto se reencontrava com parentes na área de desembarque.

À espera dos filhos Clarissa, de 14 anos, e Gabriel, de 12, o operador de sistema elétrico Alexandre da Silva Vicenti passou por momentos de tensão durante todo o sábado e início de domingo. Pela primeira vez, deixara os filhos viajarem sozinhos, para uma excursão de uma semana em Bariloche. Mas os filhos não chegaram ao Brasil no sábado, como previsto, por causa do atraso no vôo da Aerolíneas.

"A empresa não prestava nenhuma informação que prestasse", disse, contando que seus filhos ficaram sete horas esperando no aeroporto de Buenos Aires. "Às 23 horas, consegui falar com meus filhos, e eles me informaram que iam chegar hoje (ontem)", disse, acrescentando que pelo menos 20 pais estavam na mesma situação que ele, no saguão de desembarque internacional do aeroporto. "Liguei para o 0800 da Aerolíneas, o tempo todo, mas o número só funciona de segunda a sexta! Uma piada! Foi um pesadelo", disse.

Vicenti também reclamou da falta de informações por parte da Infraero que, na avaliação do operador, "lavou as mãos" na situação. "Eles me mandavam procurar a Aerolíneas o tempo todo", disse.

Ontem, mais de 200 passageiros que estavam hospedados desde anteontem no Hotel Guanabara Palace, no centro do Rio, por causa dos vôos adiados da Aerolíneas, deixaram o estabelecimento para o aeroporto, na esperança de conseguir embarcar. Até as 16h30 de ontem, três aviões de Buenos Aires chegaram, com uma média de 24 horas de atraso. A Infraero informou que, ontem, houve dois cancelamentos de vôos da Aerolíneas.

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