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As negociações da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial na Organização Mundial do Comércio (OMC), terminaram sem acordo nesta terça-feira, anunciou à AFP uma fonte próxima às discussões em Genebra.

"Os Estados Unidos e a Índia não aceitaram as propostas de compromisso, chegamos a um impasse", explicou a mesma fonte.

Ao mesmo tempo, o ministro do comércio neozelandês, Phil Goff, indicou à imprensa: "Não vemos conclusão da rodada de negociação este ano".

Os negociadores dos principais países reunidos há nove dias em Genebra devem agorar se encontrar para discutir o tema central deste impasse, acrescentou a fonte.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, falará em seguida aos representantes dos 153 Estados-membros da OMC para detalhar as razões do fracasso.

Iniciadas em novembro de 2001 em Doha, no Qatar, as negociações sobre a liberalização do comércio mundial deveriam ter sido encerradas em princípio em 2004.

A representante americana do Comércio, Susan Schwab, lamentou, por sua vez, nesta terça-feira que os negociadores tenham chegado muito perto de um acordo sexta-feira passada, antes de tropeçar no obstáculo criado pela oposição entre os Estados Unidos e os grandes países emergentes, como a Índia, na questão do mecanismo de salvaguarda.

"Acabamos de encerrar uma reunião muito decepcionante", declarou à imprensa, sem no entanto querer confirmar que as negociações definitivamente fracassaram. "Não posso dizer isso, não é meu papel", respondeu, destacando que as "propostas americanas continuam sobre a mesa. Esperamos ofertas recíprocas".

O mecanismo de salvaguarda em questão permite aos países em desenvolvimento aumentar suas tarifas aduaneiras em caso de uma enxurrada de importações de produtos agrícolas.

Segundo Schwab, é essencial que os 153 países da OMC continuem avançando, apesar do fracasso das discussões de Genebra.

Pascal Lamy havia decidido no fim de junho convocar os países membros da OMC a partir de 21 de julho para tentar chegar a um acordo. Na ocasião, ele avaliou as chances de um acordo em mais de 50%.

A Rodada de Doha já havia fracassado em setembro de 2003 durante a conferência de Cáncun, no México, que se transformou num enfrentamento Norte-Sul em torno da questão agrícola.

ama-slb/lm

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