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A participação dos gastos com aquisição, ampliação e reforma de imóveis no orçamento das famílias cresceu entre 2003 e 2009

A participação dos gastos com aquisição, ampliação e reforma de imóveis no orçamento das famílias cresceu entre 2003 e 2009. Denominado "aumento do ativo", esse item representava 4,8% dos gastos das famílias em 2002/2003 e passou para 5,8% no ano passado, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ, a elevação da participação da aquisição de imóveis se deve ao aumento da oferta de crédito para o setor. "A expansão do crédito para o setor imobiliário começou no início dos anos 2000, quando se criou a figura da alienação fiduciária. A partir daí, houve um aumento sistemático da oferta de crédito, relacionado principalmente a grupos de renda média", explica. Entre as famílias que adquiriram imóveis no período em que a última POF foi realizada está a arquiteta Letícia Medeiros, 29. A aprovação em um concurso público foi o impulso que faltava para ela e o marido comprarem um apartamento de dois quartos na zona sul do Rio em abril de 2009. "Juntamos nossas economias, demos uma entrada e parcelamos o resto em 20 anos", conta. A família espera, no entanto, quitar o imóvel até o ano que vem com recursos do FGTS e do 13.º salário. A compra do apartamento, porém, não acabou com as preocupações da família com a casa própria. Letícia teve gêmeos no ano passado e o imóvel ficou pequeno. "Vamos terminar de pagar este apartamento e já começaremos a procurar outro maior", diz. O financiamento e a chegada dos bebês fizeram com que a família revisse seu orçamento. "Gastamos menos com lazer e com viagens e cancelamos planos de reforma no apartamento", explica Letícia. Embora o aumento do ativo tenha crescido de 2003 para 2009, a participação desse item no orçamento das famílias brasileiras ainda é inferior ao verificado em 1975. Naquele período, as famílias designavam 16,5% das suas despesas para aquisição e reforma de imóveis. Ofertas de serviços. Segundo o gerente da POF, Edilson Nascimento Silva, a queda dos gastos com o aumento de ativos da década de 70 para cá está "provavelmente" relacionada ao forte aumento na disponibilidade de serviços para as famílias desde a década de 70. "Houve muitas mudanças de ofertas de serviços, como disponibilidade de telefonia, celular, internet, TV a cabo", exemplificou. Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, o crescimento da participação do aumento de ativos é reflexo de um melhor padrão de renda da população. "Isso porque ela já foi capaz de com sua renda consumir todos os bens de consumo correntes - e ainda tem um saldo que é a sua poupança - que ela pode adquirir na compra de ativos ou recorrer a créditos para ampliar ativos", disse Nunes.

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