Os parlamentos da União Europeia começaram a analisar ontem o pacote de ¿ 110 bilhões de socorro à Grécia, aprovado no domingo, em Bruxelas. A mobilização pela aprovação urgente das medidas conjuntas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) visam a dissipar um novo foco de especulações no mercado sobre a viabilidade política do programa de auxílio.

Os parlamentos da União Europeia começaram a analisar ontem o pacote de ¿ 110 bilhões de socorro à Grécia, aprovado no domingo, em Bruxelas. A mobilização pela aprovação urgente das medidas conjuntas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) visam a dissipar um novo foco de especulações no mercado sobre a viabilidade política do programa de auxílio. Ontem, o euro voltou a cair em relação ao dólar, mostrando o ceticismo dos investidores. As medidas entraram na pauta dos dois maiores parlamentos da zona do euro. O Bundestag, o legislativo alemão, recebeu o projeto de lei enviado pela chanceler Angela Merkel e deve votá-lo até sexta-feira. Berlim será o maior contribuinte do pacote de socorro, com um total de ¿ 22,3 bilhões. Para convencer os deputados - e a opinião pública do país -, Merkel afirmou que "o projeto de lei significa que nós não apenas ajudamos a Grécia, mas nós estabilizamos mais globalmente o euro". Na França, a expectativa era de que os deputados reunidos na Assembleia Nacional à noite aprovassem em massa o empréstimo bilateral. O país emprestará à Atenas ¿ 16,8 bilhões nos próximos três anos. Uma emissão de títulos será realizada para compensar o custo. A urgência na aprovação do mecanismo de socorro pelos parlamentos ficou evidente ontem, quando o mercado financeiro demonstrou desconfiança em relação às possibilidades de aprovação do projeto. No mercado de câmbio, o euro voltou a cair em relação ao dólar. Além de pressionar os parlamentos pela aprovação, os líderes da União Europeia começarão a reformar um dos pilares de seu sistema monetário: o Pacto de Estabilidade e Crescimento, criado em 1997. Segundo Olli Rehn, comissário Europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, as "grandes linhas" de uma reforma do pacto europeu devem ser decididas na reunião de cúpula dos chefes de Estado e de governo, que acontecerá na sexta-feira na capital belga. Até o início da crise grega, o pacto - que fixa o teto de 3% de déficit fiscal e de 60% a dívida pública máxima de um país - era tido pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela Comissão Europeia como a âncora de credibilidade do euro. O problema: um ano e meio depois a quebra do banco Lehman Brothers, apenas dois países - Luxemburgo e Finlândia - respeitam os limites. Os casos mais graves são Irlanda, com déficit de -14,3%, Grécia, de -13,6%, e Espanha, -11,2%. Sanções. Para coibir abusos, Alemanha e França preparam em conjunto propostas para tornar o descumprimento das normas passível de sanção por parte da União Europeia. O apoio é generalizado e teria sido uma condição para socorro aos gregos. "É preciso que tiremos as lições da crise atual a fim de que o euro continue uma moeda forte e estável", defendeu Angela Merkel. Segundo a chefe de governo, uma das possibilidades em estudo é a supressão temporária do direito de voto no Conselho Europeu dos países que desrespeitarem os engajamentos do Pacto de Estabilidade. As medidas devem incluir mecanismos de regulação da competitividade, para evitar que um fosso se crie entre economias mais e menos ricas do bloco. Outro foco da cúpula de Bruxelas será o projeto de criação da Agência Europeia de Notação, que competiria com as agências Standard & Poors, Moody's e Fitch no mercado. Ontem, em entrevista ao jornal Le Monde, a ministra de Economia da França, Christine Lagarde, levantou suspeitas sobre os rebaixamentos da Grécia, de Portugal e da Espanha, na semana passada. "Quando a S&P notifica a degradação de um Estado 15 minutos antes do fechamento dos mercados, isso é um estímulo ao crime", afirmou, condenando o procedimento da agência.

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