SÃO PAULO - Os técnicos brasileiros e paraguaios debruçados há algumas semanas na análise das contas da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional deverão manifestar um parecer nos próximos dez dias. A informação foi dada hoje pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que participou do 9º Encontro de Negócios de Energia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ao rebater os argumentos do governo paraguaio, que reclamam do preço que o Brasil paga pela energia não utilizada pelo país vizinho, Lobão afirmou que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, foi " engrupido " , referindo-se ao fato de que ele foi levado a acreditar que o Brasil não está cumprindo o tratado firmado pelos dois países.

O ministro garantiu, no entanto, que o governo brasileiro está pagando, conforme acordado, US$ 45 por cada MWh de energia que compra dos vizinhos. O argumento é contestado pelos paraguaios, que dizem receber apenas US$ 2 por MWh. " É uma diferença abissal, que essa comissão irá esclarecer " , disse Lobão.

Ao discursar sobre o Tratado de Itaipu, o ministro afirmou que sua criação, em 1973, foi possibilitada pelo que chamou de " genialidade diplomática " do governo militar. Os militares também foram fartamente elogiados por Lobão quando tratou do desenvolvimento econômico do país durante os últimos 50 anos. Na opinião de ministro, o que ocorreu entre 1964 e 1985 não foi uma ditadura, mas sim um " estado de exceção autoritário " . " Ditadura foi na época de Getúlio Vargas " , comparou Lobão.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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