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Paraguai reivindicará sobre Itaipu no Parlasur e na Espanha

Assunção, 28 nov (EFE).- O Paraguai exporá amanhã ao Parlasur, Parlamento do Mercosul, com sede em Montevidéu, e na semana que vem, na Espanha, suas reivindicações ao Brasil para obter maiores benefícios na hidrelétrica binacional de Itaipu, informaram hoje fontes oficiais.

EFE |

As reivindicações do Governo de Assunção serão apresentadas pelo diretor paraguaio da hidrelétrica, Carlos Mateo Balmelli, durante uma audiência pública do legislativo do bloco regional, formado ainda por Argentina e Uruguai.

O diretor brasileiro, Jorge Samek, também participará da audiência.

Balmelli disse em entrevista à Agência Efe que exporá aos parlamentares do Mercado Comum do Sul (Mercosul) os seis pontos reivindicados ao Brasil em relação a Itaipu, entre eles, o interesse de dispor livremente do excedente de energia que lhe corresponde na hidrelétrica.

"Acho que de alguma maneira o caso de Itaipu" está demonstrando "que o Brasil tem que ser mais compreensivo com as reivindicações paraguaias", disse o diretor paraguaio.

Para ele, "se o Brasil vai ter uma liderança regional por seu tamanho, por sua projeção econômica, que ninguém questiona, tem que ser mais receptivo".

Além disso, disse que "não é questão somente de se sentar para negociar" e que "os diálogos são válidos quando são conducentes para a solução das controvérsias que os geram".

No entanto, classificou de satisfatórias as negociações que estão sendo realizadas na comissão bilateral criada em setembro pelo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e por Luiz Inácio Lula da Silva, para atender às reivindicações paraguaias.

O Paraguai também exige a revisão do tratado de construção de Itaipu, assinado em 1973, e que estipula que Brasil e Paraguai têm direito cada um a 50% da eletricidade gerada e que a energia não utilizada por uma das partes deve ser vendida ao outro a preço de custo.

O Paraguai satisfaz 90% de sua demanda com 5% dessa energia e o resto é utilizado pelo Brasil.

Nesse sentido, Balmelli lembrou que o Brasil "não aceita a modificação do tratado".

"Sua posição já é clara, como manifestou em reiteradas ocasiões", acrescentou.

O diretor considerou que "se o Brasil não aceitar a modificação" do contrato em questão, que "pelo menos seja 'coerente' na aplicação" do mesmo.

"O que queremos é que o Paraguai disponha da liberdade de sua energia para vender ao mercado brasileiro e, em segundo lugar, buscamos o preço justo no mercado livre", explicou.

Ele ressaltou que o Brasil conta com uma abertura do mercado energético com a Argentina e Uruguai, assumida através "de um decreto" e "nem sequer por meio de um tratado".

"Existe isso com outros países, por que não com o Paraguai?" e "por que não com o excedente da energia paraguaia de Itaipu?", questionou.

Por outro lado, Balmelli anunciou que esses pontos também serão expostos em uma conferência em 3 de dezembro na Casa América de Madri.

"Vou falar sobre 'Itaipu, integração e hegemonia'", ressaltou o funcionário, que disse que sua visita à Espanha será propicia para estabelecer contatos com empresas do setor, como a Elecnor.

"Necessitamos de investimentos" para poder "produzir novas geradoras e reverter o grande déficit que registramos nas redes de transmissões de energia", ressaltou Balmelli. EFE ja/ab/jp

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