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Assunção, 16 out (EFE).- O Governo paraguaio reafirmou hoje que as fazendas de colonos e fazendeiros brasileiros nas regiões produtoras de soja serão protegidas de possíveis ocupações e ameaças de camponeses.

Grupos de lavradores organizados do departamento de San Pedro, no centro do país, deram um prazo de oito dias a partir de hoje aos brasileiros que cultivam soja nessa região, conhecidos como "brasiguaios", para que abandonem suas fazendas.

O diretor de Assuntos Especiais da Chancelaria paraguaia, Víctor Hugo Peña Bareiro, disse que o chefe de Estado Fernando Lugo garantiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva "o respeito aos direitos humanos, civis e políticos de qualquer residente" brasileiro no Paraguai.

Bareiro disse, em reunião a imprensa, que o chanceler Alejandro Hamed Franco fez a mesma promessa ao ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, e que cabe aos organismos de segurança paraguaios cumprir com esse compromisso.

Na terça-feira, produtores do departamento de Alto Paraná, no leste do país, pediram proteção às autoridades em Foz do Iguaçu, que faz fronteira com o Paraguai, ao se declararem ameaçados pelos sem-terra em plena época de semeadura da soja.

Calcula-se que cerca de 300 mil brasiguaios, muitos deles com grandes explorações agrícolas, vivem no Paraguai ao longo da extensa linha fronteiriça com o Brasil.

A maioria se dedica ao cultivo da soja, principal fonte de divisas do Paraguai.

Em várias regiões agrícolas do país, centenas de camponeses estão acampados ao redor das fazendas e granjas agrícolas sob ameaça de voltar a ocupá-las, após uma trégua acordada com o Governo.

Os camponeses radicais argumentam que, no passado, grandes extensões de terra fiscais foram cedidas a pessoas que não participavam da reforma agrária e que o cultivo mecanizado de soja depreda as florestas e polui o meio ambiente com as fumigações maciças.

"Vamos proteger os direitos de todas as pessoas, vamos levar adiante a reforma agrária, sempre através das vias correspondentes", afirmou o ministro do Interior, Rafael Filizzola, ao pedir aos produtores brasileiros que recorram aos organismos de segurança paraguaios.

"O Paraguai é uma República independente e a segurança está sendo garantida através de nosso Governo. Não vamos admitir nenhum tipo de interferência, nem pressões, nem ingerência de nenhuma outra instância", enfatizou Filizzola.

A tensão no campo se intensificou há três semanas, depois da morte de um camponês em um incidente na fazenda de um brasileiro ocupada por lavradores, no departamento de Alto Paraná.

A esse fato seguiu a ameaça feita por um líder camponês e aliado de Lugo, Elvio Benítez, que advertiu que estariam dispostos a expulsar de suas terras os brasileiros estabelecidos no lado paraguaio da fronteira. EFE lb/ab/rr

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