SÃO PAULO (Reuters) - A mineradora Vale trabalha com um cenário de manutenção por ainda algum tempo do elevado patamar de custos de financiamento para as empresas, o que poderá resultar em menor movimento de fusões e aquisições no setor. O diretor financeiro da mineradora brasileira, Fábio Barbosa, falando a participantes de um seminário para investidores em São Paulo, indicou que a forte atividade em compras de empresas que marcou a mineração mundial nos anos anteriores à intensificação da crise ficou no passado.

"Nosso setor verá dias menos brilhantes em fusões e aquisições", disse ele durante apresentação no evento.

Barbosa salientou que a Vale possui uma boa posição de liquidez, com 15,3 bilhões de dólares em caixa, além de uma linha de financiamento de longo prazo de 10 bilhões de dólares e outra, tipo rotativo, de 1,3 bilhão de dólares.

Com isso, a empresa estaria avaliando várias opções de como melhor utilizar esse dinheiro no ambiente atual.

"Temos condição de perseguir qualquer opção de investimento."

Ele citou que a companhia foi procurada por bancos interessados em atrair parte dos recursos da empresa. Segundo ele, a Vale recebeu ofertas de direcionar recursos a esses bancos recebendo entre 106 e 107 por cento de CDI como remuneração, patamar um pouco acima do visto anteriormente, o que indica um custo mais elevado para o dinheiro.

O diretor da empresa afirmou que "mesmo com a recessão, os fundamentos do mercado de minério de ferro são favoráveis", especialmente pelo fator China.

A Vale crê na manutenção do ciclo de crescimento chinês e espera que a economia do país avance entre 7,5 e 8,5 por cento em 2009, mantendo forte a demanda por minério.

(Reportagem de Aluísio Alves)

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