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Para Setúbal, tensão deve continuar

O pacote de saneamento do sistema bancário norte-americano foi bem recebido por especialistas no setor no Brasil, mas não foi considerado suficiente para acalmar de forma definitiva os mercados. Segundo o presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, é muito importante que se tenha conseguido um acordo sobre as medidas para enfrentar a crise.

Agência Estado |

Ele acrescenta, porém, que "há muitas dúvidas sobre como as medidas serão aplicadas, e acredito que alguma tensão deve continuar nos mercados".

Para a economista Eliana Cardoso, professora da Fundação Getúlio Vargas (GV) em São Paulo, "mesmo melhorado, o plano não é perfeito, e não há garantias que vá funcionar". Ela acrescenta, porém, que "é a melhor opção, e a minha esperança é que dê certo e a economia não entre num processo recessivo bravo".

Eliana divide as mudanças introduzidas no plano inicial do secretário de Tesouro, Henry "Hank" Paulson - para que ele fosse aprovado pelo Congresso -, em políticas e técnicas. Na sua opinião, as primeiras visam reduzir a rejeição popular a um plano que amenizará as perdas de banqueiros e financistas. Já o segundo grupo de alterações, como a maior supervisão das ações do Executivo, efetivamente melhora o pacote.

"Qualquer programa de salvamento de bancos sempre significa uma socialização de prejuízos", diz Eliana. O problema, ela continua, é que o custo de um colapso financeiro para a economia real é muito maior. Ainda assim, para aplacar a ira popular, e garantir a aprovação do plano - na sua interpretação -, foram acertados limites de remuneração para os executivos dos bancos que entrarem no programa. "É uma medida mais populista do que qualquer outra coisa, para contornar as dificuldades políticas", ela diz.

Por outro lado, Eliana vê como mudanças técnicas positivas o parcelamento do pacote de US$ 700 bilhões, e a possibilidade de que o governo complemente a compra de ativos "tóxicos" das instituições em dificuldades com a recapitalização por meio da compra de ações. "Era uma falha do plano inicial a falta de supervisão sobre as atividades do Paulson", analisa a economista, referindo-se ao fato de que a primeira versão da proposta do secretário do Tesouro conferia a ele mesmo poderes quase ilimitados de comprar e revender os ativos tóxicos dos bancos.

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