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Para proteger o investimento

Não houve surpresa. Quem esperava uma trajetória diferente do PIB não conhece o que é o tempo na economia.

Agência Estado |

O crescimento de 6,8% é parte de um passado que tende a não se renovar nos meses finais de 2008 e início de 2009. O que ocorreu no terceiro trimestre é fruto do dinamismo da demanda que vinha se apresentando na economia brasileira e nem uma freada brusca, a partir de 15 de setembro, foi capaz de parar instantaneamente. Ou seja, as decisões anteriores de consumo, assim como as de investimento, foram concretizadas no trimestre em questão, a despeito da crise. Quanto às exportações, não se pode atribuir a sua queda ao impacto da crise. O declínio já vinha ocorrendo e a falta de dinamismo refletia a valorização do real.

Uma surpresa nos últimos resultados do PIB pode ser identificada no consumo das famílias que teve aceleração significativa. Neste caso, a política monetária e de encarecimento do crédito, em curso, irifazeriam efeito no último trimestre, refreando o gasto familiar.

Reside também no investimento o maior dos impasses que teremos de superar diante da crise mundial. O boom de inversões tende a se dissipar muito mais forte e rapidamente que o boom de consumo. O que significará um retrocesso daquilo que levou anos para ser construído, ou seja, uma plataforma de rentabilidade e de segurança para os novos projetos empresarias. A falta de crédito externo e interno é um dos grandes ingredientes dessa rápida reversão das decisões em investir. Mas não é o único componente do problema.

A disposição de investir, indepentendemente da disponibilidade e do custo do crédito, sofre uma grande reversão devido às expectativas empresariais hoje muito mais desfavoráveis do que eram antes do agravamento da crise externa.

Há somente um instrumento capaz de minimizar o efeito do colapso das expectativas que, a propósito, não ocorreu só no Brasil: um grande e concentrado estímulo fiscal e creditício ao investimento no ano de 2009.

Para lutar contra o pessimismo dos empresários, o governo deveria rapidamente ampliar seus próprios investimentos em infra-estrutura e assegurar os recursos necessários para não interromper os financiamentos do BNDES. Deveria estender o incentivo da depreciação super-acelerada concedida pela Política de Desenvolvinento Produtivo (PDP) aos setores de bens de capital e automobilístico a todas as empresas, sem exceção, que se aventurarem em novos projetos.

Por fim, sendo porém o mais importante, é preciso baiar a taxa básica de juros em magnitude representativa de uma nova orientação da política econômica, capaz de defender o que de mais nobre a economia construiu nos últimos anos: o investimento. Só assim o Brasil poderá minimizar em 2009 o que é muito provável que ocorra já no quarto trimestre deste ano, uma retração de sua economia e do nível de emprego. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo
*O autor é consultor do Iedi e professor da Unicamp

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