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Para presidente da Petros, momento é de oportunidade para os fundos de pensão

¿Não olhamos o hoje, mas o futuro¿. A afirmação é do economista Wagner Pinheiro de Oliveira, o comandante do segundo maior fundo de pensão do País, com patrimônio de R$ 40 bilhões, 125 mil participantes e mais de 50 patrocinadores. Na presidência da Petros desde fevereiro de 2003, este paulistano de 46 anos, formado em Economia pela Unicamp, aumentou, em sua administração, o número de associados em mais de 30%. Ele está convencido de que a crise financeira internacional, quando analisada a médio e longo prazos, pode ser vista como uma oportunidade para os fundos de pensão.

Redação |

iG
Wagner Pinheiro, presidente da Petros
Presidente da Petros no iG
Se o fundo tem liquidez, não está pagando benefícios de forma exagerada e mantém entrada de caixa, vai usar o dinheiro ao longo de 40 anos e será, portanto, beneficiado por essa crise. É uma oportunidade, afirmou Oliveira, em entrevista exclusiva ao Último Segundo. 

Este é caso da Petros, na visão de seu presidente. Hoje, mais de dois terços do patrimônio do fundo é formado por aplicações de renda fixa. A parte de renda variável recuou, do primeiro trimestre para cá, de 31% para 28%, dos quais a carteira responde por 12%. Tenho tranqüilidade para não precisar dispor dos 30% que tenho em renda variável, afirma Oliveira. Os fundos de pensão olham de outra maneira, olham do ponto de vista da liquidez de longo prazo.

É com o olhar para frente que Oliveira revela disposição para adquirir ações de empresas mais sólidas, aproveitando, justamente, a presente redução nas cotações dos papéis. O executivo destaca que a Petros já começou a comprar ações de empresas mais sólidas, como Vale, Petrobras e empresas do setor de energia. Estamos em um ciclo de crescimento, que pode ter arrefecido em função da carência de crédito provoca pela crise internacional, mas que não vai chegar a níveis para gerar desemprego, diz.

"A crise financeira internacional, quando analisada a médio e longo prazos, pode ser vista como uma oportunidade para os fundos de pensão"

A crise, na visão de Oliveira, poderá diminuir a velocidade dos investimentos, mas eles continuarão ocorrendo. A Petrobras, por exemplo, sem estimativas do pré-sal, tem um programa de investimento de US$ 112 bilhões, lembra.

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Wagner Pinheiro em entrevista ao iG
Pinheiro Oliveira em entrevista ao iG
A Petros, na palavra de seu presidente, não vê um horizonte recessivo para a economia brasileira. O mais pessimista, hoje, diz que o Brasil vai crescer 2,5%, diz Oliveira. Ele analisa que, com a crise, os negócios no Brasil vão sofrer uma desaceleração, mas as empresas continuarão a crescer. Este ano, o País cresce mais de 5%; para 2009, projetamos um crescimento  em torno de 3,5%., analisa. A conclusão, de acordo com o próprio Oliveira: as ações das empresas estão baratas e somos compradores.

Oliveira lembra também que, no caso dos fundos de pensão fechados, como a Petros, o participante só pode tirar o dinheiro se sair da empresa. É lei. A pessoa não tem o direito de sacar seus fundos de reservas, exceto em algumas situações, explica. Isso é importante dizer porque, diferentemente dos fundos abertos mantidos por bancos, o poupador não saca o dinheiro no momento que quer. É uma poupança característica de médio, longo prazo, completa.

Fluxo de caixa

Embora se declare tranqüilo e otimista, Oliveira informa que a Petros estuda mudanças e que para este ano o fundo dificilmente cumprirá sua meta de rentabilidade (inflação mais 6% ao ano). Ele minimiza a redução de R$ 1,5 bilhão que o fundo registrou entre o primeiro trimestre e o terceiro, ápice, até agora, da crise dos mercados. Em ativos, no começo do ano, tínhamos 31% e renda variável. Hoje, temos 28%. Na contabilidade comparada, a Petros pedeu R$ 1,5 bilhão. (...) Mas, novamente, é preciso analisar que um fundo de pensão trabalha a longo prazo e, nos últimos cinco anos, a Petros rendeu, em média, inflação mais 12%, bem acima de sua meta de rentabilidade anual.

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Oliveira vê momento de oportunidade
Oliveira vê momento de oportunidade
Oliveira explica ainda que a reavaliação das políticas de investimento do fundo é rotineira, sendo realizada pelo menos uma vez por ano. Com o quadro econômico que temos hoje, até 24 meses, a estratégia é investir em títulos públicos federais; de 24 a 60 meses, principalmente em crédito privado, renda fixa privada; e mais de cinco anos, renda variável, diz. 

Ele destaca ainda que a Petros quer investir mais em infra-estrutura. Investir em infra-estrutura no Brasil é investir em um macrossetor de risco baixo, rentabilidade moderada e bem regulado, afirma. Investir em infra-estrutura não é fazer obra social. Se eu melhorar as rodovias, os portos, ajudamos a melhorar, por exemplo, o resultado da Perdigão, empresa de que participamos e que exporta 50% do que produz, explica. É um ciclo virtuoso, avalia. Hoje, a Petros detém 12% da Perdigão.

"Os negócios no Brasil vão sofrer uma desaceleração, mas as empresas continuarão a crescer"

Pânico do mercado

Ao ser questionado se o pânico do mercado financeiro caminha para o fim, Oliveira diz que a resposta é difícil, mas analisa que as medidas adotadas em conjuntos pelos governos da Europa e Estados Unidos vão acalmar o mercado.

Essas medidas de intervenção direta no sistema financeiro internacional são positivas. Não há dúvida que, sem a intervenção do governo, a economia não segue um rumo que se ajuste. Essa crise deixa claro que a intervenção estatal é necessária, que não existe a história de que o mercado pode auto-regular, finaliza.

(*com reportagem de Camila Nascimento, editora do Último Segundo, e José Paulo Kupfer, colunista do iG)

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