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Para presidente da CNA, ser de oposição não afeta diálogo com governo

BRASÍLIA - Com um discurso mais conciliador que o habitual, após ser eleita para a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a senadora Kátia Abreu (DEM) disse hoje que o fato de ser oposição não a impedirá de buscar soluções conjuntas com o governo para a escassez de crédito ao setor agrícola. Eu continuo Democrata, continuo oposição, mas sou eu e não o partido Democratas quem vai representar 1,2 milhão de produtores rurais, afirmou ela. Podemos ter diferenças de princípios, mas temos o objetivo comum que é fazer o agronegócio brasileiro continuar a crescer, disse, ao ser questionada se não haverá incompatibilidade daqui para frente, entre sua nova função como dirigente ruralista e a necessidade de alinhamentos eventuais com o governo no Congresso.

Valor Online |

Primeira mulher a dirigir uma entidade de comando tradicionalmente masculino como a CNA, Abreu alertou hoje que a crise financeira internacional está agravando as dificuldades de financiamento ao setor rural. E que o Banco do Brasil (BB), como agente financeiro oficial para o setor, está "amarrando" a liberação de recursos extras, anunciados pelo governo.

"O crédito sumiu, porque as fontes privadas secaram. E o Banco do Brasil criou mais burocracia para segurar o crédito oficial", afirmou a senadora, que toma posse no novo cargo em 16 de dezembro próximo.

Ela destacou que mais de dois terços do financiamento rural provêm do mercado, inclusive de empresas de multinacionais (traders), cujas matrizes enfrentam problemas de liquidez e, por isso, não há crédito. Dos recursos a juros tabelados (principalmente no BB), entre julho e setembro foram liberados R$ 13,5 bilhões, ante R$ 13 bilhões em período igual de 2007.

Para evitar que a crise global prejudique a próxima safra, o governo anunciou a antecipação de mais R$ 5 bilhões do BB ao agronegócio, de forma que os recursos da próxima safra subam a R$ 55 bilhões. Mas a senadora disse que o dinheiro não está chegando na ponta.

A trava no BB, segundo ela, é a renegociação de mais de R$ 80 bilhões em dívidas dos ruralistas no primeiro semestre do ano. Com isso, o produtor comprometeu mais patrimônio como garantia, ficando com o risco de crédito mais elevado.

O BB informou a Abreu que o volume de crédito na pior classificação de risco do Banco Central (risco H), que exige provisão de 100% do valor emprestado, subiu de 3% de sua carteira rural em dezembro de 2003, para 14,3% em julho de 2008.

"A crise detona o encolhimento e a burocratização do crédito", comentou a senadora, "Com menos financiamento, o risco para 2009 é a redução da área plantada ou do uso de tecnologia, menos produtividade, menos renda e menos dinheiro para o produtor pagar suas dívidas", comentou.

Segundo ela, cabe ao governo buscar alternativas frente à queda da produção de alimentos que se avizinha, consequência de menos crédito e redução dos preços agrícolas no mercado internacional. Além disso, o custo da produção rural teve alta média de 30% entre janeiro e setembro deste ano, complementou.

"O agronegócio é um problema do Estado, pois responde por um terço do PIB, um terço das exportações e um terço dos empregos gerados, além de afetar as contas externas do país", disse a nova presidente da CNA.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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