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SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que o juro baixo por longo período nos Estados Unidos e a forte expansão do crédito no país, além da regulação frágil do sistema financeiro americano, foram importantes gatilhos que levaram a maior economia do mundo à atual crise financeira. Para todas as variáveis citadas, o dirigente fez questão de mostrar que o Brasil conta com posição bem menos arriscada.

Meirelles destacou que o alívio monetário no Brasil foi feito num ambiente de estabilidade e crescimento prolongado da economia, circunstância que pode, segundo ele, "gerar desequilíbrios" de preços. O juro baixo, segundo ele, proporcionou um aumento expressivo do crédito nos Estados Unidos e a inflação de alguns ativos - sobretudo do segmento imobiliário, que estava muito alavancado.

"O total de crédito da economia americana é superior ao total do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA", lembrou Meirelles, ressalvando que no Brasil, embora o movimento seja ascendente, o crédito representa hoje apenas cerca de 37% do PIB. "Estamos ainda muito longe de onde chegaram os Estados Unidos em nível de endividamento da sociedade", afirmou.

Outra explicação apontada pelo dirigente do BC para a situação complicada em que se encontram os Estados Unidos foi a fraqueza do sistema de regulação no país. A vigilância na atuação de bancos de investimento é mais fraca do que a praticada em bancos comerciais, o que permitiu que as instituições se valessem de garantias nem sempre sólidas nas operações. "Aqui no Brasil todos os segmentos do sistema (financeiro) são regulados e fiscalizados pelo Banco Central", reforçou.

Meirelles acredita que o plano de compra de títulos podres nos EUA, da ordem de US$ 700 bilhões, anunciado pelo governo americano, é "dispendioso, mas bem pensado". Mesmo sendo "audacioso", Meirelles acredita que esse seja o caminho adequado para lidar com a crise, embora seja prematuro fazer previsões sobre o sucesso da iniciativa. "Esperamos que seja bem sucedido", limitou-se a comentar.

O dirigente participou nesta tarde de almoço em São Paulo, promovido pela Associação de Dirigentes de vendas e Marketing do Brasil (ADVB).

"(Bianca Ribeiro | Valor Online)"

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