O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a possibilidade da volta da indexação dos preços é vista como um risco fundamental para a economia. Ele alertou que, caso a pressão ressurja, o custo para o País será maior.

"É preciso conscientizar a sociedade de que a indexação levará apenas à necessidade de um esforço maior monetário e fiscal."

Meirelles jogou para a sociedade a atribuição de evitar que essa correção automática dos preços ocorra, lembrando que cada segmento deve fazer sua parte. Segundo ele, as empresas devem tentar não repassar todo o aumento de custo nos últimos anos, enquanto trabalhadores, profissionais liberais, contratos, fornecedores e funcionários públicos não devem demandar aumentos. "Em resumo, toda a sociedade." Mesmo assim, o presidente do BC disse entender que a tentação da indexação é grande.

Segundo Meirelles, há sinais de superaquecimento da demanda mundial e vários países, em especial os emergentes, estão um pouco atrasados no enfrentamento da questão. De acordo com o presidente do BC, essa foi uma das principais conclusões da reunião anual do Banco para Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), na Basiléia (Suíça), da qual voltou há dois dias.

Os três principais temas do evento foram a inter-relação das atuações de política monetária, a regulação bancária e a crise dos Estados Unidos, iniciada no mercado de crédito mobiliário. O presidente do BC ressaltou que a primeira avaliação do evento foi de que existem sinais de que a economia mundial está superaquecida e há, portanto, pressão em preços de vários produtos que possuem limitações maiores ao aumento da oferta. "Começou com petróleo, passou para os alimentos e matérias-primas: metais, não-metais, ferrosos e grãos."

O segundo ponto enfatizado por Meirelles foi o de que houve um consenso entre os presidentes de bancos centrais de que esse superaquecimento da demanda não poderia ser exógeno a todos os países. "Caso contrário, seria algo exógeno ao globo", comentou. Mesmo assim, segundo ele, muitos países trataram essa elevação de preços domésticos, num primeiro momento, como um fator externo.

"Aparentemente, vários países, principalmente emergentes, já estão um pouco atrasados no enfrentamento dessa questão de demanda global aquecida, que, em muitos casos, também é nacional."

Para Meirelles, o Brasil foi muito bem avaliado na reunião do BIS "exatamente por ter tomado medidas a tempo e hora, por estar atuando e não ter subestimado os riscos para a economia doméstica".

A expectativa de que se confirmará uma rodada global de alta de juros, justamente para conter a demanda elevada, também foi tema do encontro. Segundo Meirelles, não só a ferramenta dos juros, mas outras formas de contenção da demanda foram citadas, como o esforço fiscal. "Muitos países estão com uma atitude fiscal expansionista, que é fruto da fase benigna da economia internacional."

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