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Para Mantega, queda de commodities compensa alta do dólar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, na manhã desta terça-feira, que a valorização do dólar é um fenômeno mundial, depois de meses em que a moeda americana mostrou desvalorização ante as principais moedas estrangeiras.

Agência Estado |

Ontem à noite, Mantega afirmou que o real deve continuar se desvalorizando ante o dólar.

"Como temos um câmbio flutuante, ele flutua para baixo e para cima. Agora está flutuando para cima e já era esperado. Acho que vai continuar nesta trajetória de alta", disse ontem, durante discurso na cerimônia de lançamento do livro sobre os 200 anos do Ministério da Fazenda.

Mantega acredita que está havendo uma inversão que afetará o Brasil. Mas, para o ministro, esse movimento será compensado com a queda forte nos preços das matérias-primas (commodities). "A queda das commodities compensa a elevação do dólar sobre a economia brasileira. Então, não deve afetar a inflação", afirmou o ministro, em breve entrevista antes da abertura do segundo dia do seminário "Desenvolvimento econômico: crescimento com distribuição de renda".

O ministro lembrou que já há uma deflação do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) e chegou a afirmar que "já podemos dormir tranqüilos em relação à inflação. Mas sempre com o olho aberto".

Após ser negociado abaixo de R$ 1,60 em julho, o dólar voltou ao patamar de R$ 1,70 no início deste mês, retomando os níveis apresentados em abril deste ano. Ao ser questionado se o dólar poderia ultrapassar R$ 1,80, Mantega disse que não dá para fazer previsões, mas que acredita que a cotação poderá continuar subindo. "O dólar responde a uma situação de mercado", disse o ministro.

Segundo Mantega, o dólar é pressionado pela fuga de capital das Bolsas no Brasil para cobrir "buraco nas matrizes". Assim, a volta do capital para os Estados Unidos valoriza a moeda americana, o que influencia também a cotação da moeda aqui. Para o ministro, a tendência de valorização do real que houve no passado já chegou ao limite. "De certa forma é bom, porque não vai mais atrapalhar o setor exportador brasileiro", afirmou.

O ministro disse que as contas externas brasileiras também devem sentir um reflexo positivo da valorização do dólar, já que com o movimento de desvalorização da moeda americana haveria um aumento das importações. "Essa autocorreção gerada pelas determinantes de mercado fará com que as contas externas brasileiras tenham um desempenho melhor", avaliou.

Estados Unidos

Mantega lembrou que a economia americana melhorou por causa da desvalorização do dólar nos últimos meses porque passou a exportar mais. "É o que explica o desempenho menos pior da economia americana neste período. Por isso é que cresceu mais do que o esperado", disse o ministro.

Segundo ele, se a crise internacional continuar nesse patamar, o Brasil não vai sentir maiores reflexos. Mas Mantega ressaltou que, embora o governo dos Estados Unidos esteja trabalhando para evitar o alastramento da crise, ela dependerá também da atuação do Banco Central Europeu (BCE). Para o ministro, o BCE está com uma posição muito conservadora, o que já está causando uma retração de crescimento nos países europeus. Ele lembrou que o BCE elevou a taxa básica de juros para 4,25% em julho, mas manteve os juros na região nas reuniões seguintes, de agosto e setembro.

Mantega voltou a elogiar o aporte de recursos do Tesouro norte-americano nas duas agências hipotecárias Fannie Mae e Freddy Mac. Segundo ele, como essas agências também recebem capitais externos, uma quebradeira nos EUA poderia arrastar o sistema financeiro internacional. "Os Estados Unidos não podem deixar degringolar o mundo inteiro", afirmou. Segundo ele, o Brasil até agora foi muito pouco afetado porque a economia está robusta", disse. Para Mantega, o único reflexo da crise no Brasil é a saída de dólares das bolsas em forma de remessa de lucro e dividendos.

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