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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou uma metáfora para defender a união dos países menos desenvolvidos para que eles possam enfrentar a crise e sejam ouvidos nas propostas para mudar as regras do sistema financeiro internacional. É como se fosse a revolta dos bagrinhos, disse o presidente, ao reafirmar sua convicção de que os países desenvolvidos foram incompetentes para evitar a crise.

Lula citou uma expessão usada no PT em referência a um episódio de 1994, quando grupos minoritários do partido se uniram e passaram a comandar a legenda, substituindo a corrente Articulação, de tendência moderada, à qual pertencia o próprio Lula.

A tomada de medidas em conjunto, segundo o presidente, é fundamental, se os países emergentes não quiserem "ser arrastados" pela crise financeira internacional. Lula chegou a contar ao colega sul-africano, Kgalema Motlanthe, e ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, que bagre é um peixe brasileiro pequeno que, freqüentemente, é devorado por um grande, o jaú. Só que, de vez em quando, os bagrinhos se revoltam e se juntam para comer o jaú.

As afirmações do presidente foram feitas na reunião de cúpula do Fórum Ibas, que reúne Índia, Brasil e África do Sul. Para Lula, a união dos países em desenvolvimento pode facilitar a "construção de uma nova arquitetura internacional, cada vez mais necessária nesse momento de incertezas".

"É inadmissível que venhamos a pagar pela irresponsabilidade de especuladores que transformaram o mundo em um gigantesco cassino, ao mesmo tempo em que nos prodigalizavam lições sobre como deveríamos governar nossos países", disse. "Corremos o risco de sermos vítimas de uma crise financeira gerada nos países ricos. Isso não é justo, porque nossos países reconstruíram suas economias com grande esforço" e, por isso, "vivem uma fase excepcional de expansão e de equilíbrio macroeconômico".

Em entrevista coletiva, Lula afirmou ainda esperar que, agora, "o FMI diga aos Estados Unidos que é preciso ter uma regulamentação do sistema financeiro e que os bancos centrais, reunidos na Basiléia (Suíça), determinem que é proibido que um banco de investimentos não tenha limites para alavancagem". E acrescentou que, "se os países ricos fizerem agora o que fizemos ontem, a economia voltará à normalidade".

Insistindo na tese de que as regras do sistema financeiro têm de ser mudadas, para que os bancos passem a ser mais fiscalizados, Lula afirmou que, dentro dessa nova filosofia, quando os bancos centrais tomarem uma decisão, ela terá de ser seguida por todos. Lula voltou a criticar o FMI, afirmando que ele "tem de mudar seu comportamento, porque o que fazia na década de 90, não vale mais".

Mais cedo, em discurso, Lula havia declarado que é preciso repensar o modelo mundial de produção e abastecimento de alimentos e passou a defender a conclusão da Rodada Doha. "É inadmissível que os subsídios agrícolas dos países ricos continuem a causar fome e destruir vocações agrícolas." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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