BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta quarta-feira como uma frustração o fracasso das negociações da Rodada Doha, ao discursar em almoço oferecido ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchéz, no Palácio do Itamaraty.

"Apesar da frustração das negociações na OMC [Organização Mundial do Comércio], a Costa Rica e o Brasil seguirão empenhados na luta para a liberalização do comércio agrícola", afirmou o presidente.

Lula disse ainda esperar que os avanços alcançados durante as negociações sejam preservados. "É o que esperam os países mais pobres, que mais teriam a ganhar com um acordo", afirmou Lula.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, lamentou o fracasso nas negociações. Segundo ele, era um acordo que precisava mais de decisão política do que técnica.

As questões técnicas já estavam discutidas e resolvidas, infelizmente acho que prevaleceram no final as posições políticas, que eram inabaláveis.

Segundo o ministro, o Brasil agora deve trabalhar em outra linha: a de acordos bilaterais e multilaterais. "Foi uma pena termos trabalhado tanto para não dar em nada. Eu tinha dito antes que era melhor um acordo menor, menos ambicioso, do que nenhum acordo. É um retrocesso não termos chegado a algo positivo no final e agora temos que trabalhar em outra linha."

Questionado se o Mercosul havia saído dividido da Rodada Doha, Miguel Jorge negou. "Acho que não, porque não foi nenhum país membro do Mercosul o chamado catalisador do fracasso."

Ele comentou também afirmações de um jornal argentino, que considerou traição o posicionamento do Brasil nas negociações. "Quem disse que foi traição foi um jornal argentino, não consideramos que houve traição. Se um jornal brasileiro disser que foi traição passa a ser traição? Não passa."

Análise:

Leia também:

    Leia mais sobre Rodada Doha

      Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.