Santiago do Chile - O americano Paul Krugman, Prêmio Nobel da Economia de 2008, afirmou nesta quarta-feira que, apesar de a economia mundial ter conseguido aguentar parte da crise atual, suas consequências serão sentidas por muito tempo.

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"A crise foi passando, mas resta um tempo difícil e extenso, no qual se terá que resolver tudo", disse o catedrático da Universidade de Princeton, ao expor sobre a crise e a nova economia em reunião organizada pelo Banco do Chile, em Santiago.

Segundo o também colunista do jornal "The New York Times", a recuperação observada na economia mundial não é um processo sustentado, e se deve mais a uma recomposição de estoques.

Entre os problemas que levarão tempo para se resolver, segundo Krugman, estão o crescimento e o desemprego.

"Precisará de muito tempo para que voltem a seus níveis anteriores", disse.

Além disso, disse que existem "altas probabilidades" de que o crescimento da economia, que hoje se mostra em alta, volte a cair - até números negativos - na primeira metade de 2010, enquanto o desemprego continuaria alto até 2012.

Para uma recuperação mais sustentada, Krugman recomendou a utilização de "estímulos fiscais vigorosos, mas, para isso, é necessária uma vontade política que, segundo ele, 'não existe mais hoje'", devido aos sinais positivos observados na economia mundial.

"No início de 2009, quando caíamos em um barranco, talvez fosse possível ter chegado a um consenso político (sobre os estímulos), mas hoje não mais", disse.

Krugman destacou que, além da maior despesa estatal, a crise foi combatida com reduções na taxa básica de juros pelos bancos centrais, a intervenção no mercado financeiro e forte estímulo fiscal.

"Com isso, evitamos uma grande depressão, evitamos o colapso, mas esta não é toda a história, evitar o colapso é só parte do objetivo, já que queremos restabelecer o equilíbrio", disse o economista, ao advertir que ainda existem riscos de uma recaída, que podem ser diminuídos com a manutenção dos estímulos fiscais.

Krugman lamentou que, de acordo com o que se observa no mundo, a maioria desses estímulos venha a ser retirada no segundo semestre do próximo ano.

Para o economista, a América Latina passou pela crise "melhor que o resto do mundo" e que, particularmente, a América do Sul "foi atingida, mas não tanto quanto outros países".

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