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Para Itamaraty, militares não obedecem a Evo

O presidente da Bolívia, Evo Morales, está de mãos atadas, na avaliação do Itamaraty. Mesmo que queira, ele não terá como evitar novos ataques da oposição boliviana aos campos de gás natural e ao Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) e, portanto, há risco de redução ainda maior nas remessas do insumo ao Brasil e à Argentina.

Agência Estado |

A inércia de La Paz deve-se principalmente à desconfiança das Forças Armadas em relação a Evo - fator que anula qualquer garantia de proteção às instalações do setor de gás.

"A situação está preta", resumiu uma fonte da diplomacia brasileira. O Itamaraty constatou que, ontem, no momento em que grupos oposicionistas destruíram uma válvula do Gasbol, na região do Chaco, 18 militares bolivianos que estavam de guarda não reagiram ao ataque.

Não há nenhuma indicação de que os demais soldados dispostos ao longo do gasoduto desde a semana passada possam refrear outras eventuais ofensivas. Na avaliação do Itamaraty, o governo Evo Morales resiste à decretação de estado de sítio no país justamente porque as Forças Armadas estão, na prática, insubordinadas.

Recentemente, o comandante das Forças Armadas da Bolívia, general Luís Trigo, afirmou que o Exército estaria pronto para proteger as instalações de gás e os prédios públicos de ataques da oposição desde que Evo desse a ordem por escrito. A condição indica insubordinação e desconfiança sobre a capacidade de Evo assumir a responsabilidade pelas vítimas civis em possíveis confrontos.

Conforme o diagnóstico do Itamaraty, a oposição boliviana está alcançando seu objetivo de fragilizar Evo ao ameaçar o caixa do governo. O corte de 10% nas remessas de gás ao Brasil significará a perda de cerca de US$ 8 milhões ao dia para a Bolívia e implica pagamento de multa contratual à Petrobrás.

Diante desse quadro, o governo brasileiro não terá outra saída senão apelar, com discrição, para que Evo volte atrás em duas de suas recentes decisões - realizar em dezembro um referendo sobre o novo projeto de Constituição e não reconhecer a autonomia de quatro departamentos (Estados) opositores. Esse duplo recuo seria a única via para o diálogo com a oposição e a diluição da crise política. Os últimos apelos do Brasil em favor desse diálogo, entretanto, não tiveram resultado.

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