RIO - O diretor de investimentos do International Finance Corporation (IFC), Peer Stein, afirmou que os mercados de crédito nos países emergentes estão baseados em padrões mais elevados de responsabilidade na concessão de empréstimo. Para ele, nos mercados desenvolvidos nem sempre os produtos oferecidos são próprios para o perfil dos clientes.

"Não estou me referindo a todos os bancos, mas alguns dos produtos que oferecíamos não eram do interesse dos tomadores. Não acho que isso seja um problema nos países em desenvolvimento porque as regras de concessão são muito mais rígidas sobre a receita dos tomadores", afirmou Stein, que participou hoje do World Consumer Credit Reporting Conference (WCCRC), no Rio de Janeiro.

De acordo com o executivo, a crise coloca à frente das empresas de crédito um mundo "muito diferente do que enfrentávamos há seis meses". Para ele, a crise será global e terá impacto profundo, que poderá ser sentido nos próximos anos.

Stein ressaltou que a situação de penetração do crédito e bancarização nos países desenvolvidos torna o impacto da crise mais profundo, enquanto nos países em desenvolvimento apenas 30% a 40% da população têm acesso aos serviços formais de crédito. O executivo acredita que, apesar do desaquecimento das economias mundiais, ainda há espaço para aumentar essa penetração nas nações emergentes.

"Espero que a crise não paralise esse desenvolvimento que acontece em países como o Brasil em termos de acesso a serviços financeiros e financiamento", afirmou. "Espero que percebamos que algumas coisas não estão corretas e que nós temos que consertá-las", acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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