A crise mundial elevou os custos dos produtores e levará a uma redução de 3,8% na safra de grãos do País em 2009, em relação à safra atual. Ontem, o IBGE divulgou o segundo prognóstico para a safra do ano que vem que, segundo o instituto, deverá somar 140,2 milhões de toneladas, ante 145,7 milhões de toneladas em 2008.

O milho, cuja escalada de preços e da demanda foi revertida com a crise, terá a maior queda (-7,4%) na produção.

A estimativa divulgada ontem no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE refere-se ao mês de novembro. Na projeção anterior, relativa a outubro, o instituto previa recuo na safra de 3,3%. O gerente de agricultura do instituto, Mauro Andreazzi, disse que a queda prevista na safra de 2009 reflete os efeitos da crise mundial sobre o setor, já que houve redução de crédito, aumento de custos dos insumos e queda nos preços das commodities.

O milho, que teve ótimo desempenho na safra anterior, é um dos principais produtos afetados pelo novo cenário econômico. Essa cultura, intensiva na utilização de adubo, deverá registrar queda de 7,4% na primeira safra de 2009, ante igual período de 2008. Andreazzi explicou que as perspectivas de exportação abertas para o milho na produção de etanol nos Estados Unidos levou muitos agricultores a migrarem da soja para o milho na safra 2008. Agora, eles estão retornando ao cultivo de soja.

Por outro lado, a soja, principal produto da safra brasileira, apresenta "inexpressiva variação negativa" de -0,2% na estimativa do IBGE para a safra de 2009, em relação à safra anterior.

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